PPE. Weber eleito, o alemão preferido para construir "pontes"

O Partido Popular Europeu (PPE) escolheu nesta quinta-feira Manfred Weber como o seu candidato à presidência da Comissão Europeia. O alemão conseguiu 79,2% dos votos contra apenas 20% do finlandês Alexander Stubb.

O momento é complexo na União Europeia, fruto do brexit e das divisões por causa da crise migratória e com as eleições europeias já em maio. O PPE, reunido em congresso em Helsínquia, optou por Manfred Weber, em vez do finlandês, Alexander Stubb, para a candidatura à presidência da Comissão Europeia. O alemão conseguiu 492 votos e o antigo primeiro-ministro finlandês 127.

O PSD, que integra a maior família europeia de centro-direita, deu o apoio a Weber porque o considera "mais capaz de construir pontes". O CDS manteve o suspense quase até ao fim sobre quem iria apoiar. Assunção Cristas não revelou sentido de voto e deu liberdade aos seus delegados no congresso para escolherem o candidato que entendessem.

O líder do PSD discursou em alemão na quarta-feira, perante os 758 delegados ao congresso do PPE, a língua do candidato que apoia, Manfred Weber. "Um candidato que é produto do Parlamento Europeu", como o caracterizou ao DN o eurodeputado social-democrata Paulo Rangel. Mas que o também vice-presidente do PPE diz ser "mais consensual" e que, ao contrário do que tem sido dito, não é um conservador. "É a voz da CSU (União Social Cristã) que está mais ao centro." A CSU é a congénere na Baviera da CDU de Angela Merkel.

Ora, é precisamente o apoio da ainda chanceler alemã que deu uma grande vantagem a Manfred Weber nestas primárias do PPE contra o finlandês Alexander Stubb. O alemão contou ainda com o apoio declarado dos restantes chefes de Estado e de governo do PPE, como o chanceler austríaco Sebastian Kurz ou o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, e o PP espanhol de Pablo Casado.

Apesar de o voto ser secreto, Paulo Rangel admitia que a probabilidade de Weber ser o escolhido era muito grande. "Mas Rui Rio disse que ficaria confortável com qualquer dos candidatos", acrescenta. O eurodeputado do PSD sublinha que Stubb até tem um currículo "mais impressionante" do que Weber, engenheiro em Física Tecnológica, europeísta convicto e membro do Parlamento Europeu desde 2004.

"Stubb é mais carismático, mais impositivo e mais executivo", afirma Rangel, que destaca do seu currículo o facto de ter sido primeiro-ministro da Finlândia, ex-ministro das Finanças e dos Negócios Estrangeiros e também eurodeputado. Mas, sublinha, "a avaliação do PSD foi a olhar para os laços pessoais, conhecemos o Weber há mais tempo e ele é capaz de fazer as pontes necessárias para o equilíbrio norte/sul e, mais importante, as de este/oeste na União Europeia".

A líder do CDS encontrou-se em Helsínquia com os dois candidatos e esperou até ao debate entre Weber e Stubb para tomar uma decisão. Mas ela que desejava outro candidato - o francês Michel Barnier, que é atualmente o chefe europeu das negociações para o brexit - e decidiu dar liberdade de voto aos seus delegados ao congresso. O PSD teve 17 votos e o CDS cinco, entre os mais de 700 delegados.

O facto de Manfred Weber ter sido escolhido esta manhã, em Helsínquia, nada garante, frisa Paulo Rangel, que venha mesmo a ser o presidente da Comissão Europeia, como aconteceu com Jean-Claude Juncker, que em 2014 venceu no congresso do PPE Michael Barnier.

Isto porque a escolha do nome do presidente da Comissão Europeia cabe ao Conselho Europeu, composto pelos chefes de Estado e de governo e nada os obriga a nomear o candidato principal do partido mais votado, para ser depois eleito pelo Parlamento Europeu.

"Nadar juntos"

Em Helsínquia, Rui Rio recordou a frase do antigo presidente da Comissão Europeia, o português Durão Barroso, que advertiu a Europa que "ou nós nadamos juntos ou vamos juntos ao fundo", para fazer apelo aos grandes temas que têm de mover a União Europeia.

Líder de um partido "pró-europeísta", Rio abordou em alemão a crise migratória, a segurança, a reforma da União Económica e Monetária e o declínio do sistema partidário tradicional. No que diz respeito à crise migratória, defendeu que a UE deve ter "uma abordagem ampla que apresente respostas claras ao problema do radicalismo. Acima de tudo, a solução passa necessariamente por garantir a estabilização dos países de origem dos migrantes". E que deverá existir "uma distribuição proporcional e solidária dos refugiados em toda a União, em consonância com a capacidade de cada Estado membro".

Apelou à prioridade na segurança e defesa de uma Europa "cercada em todas as fronteiras por ameaças significativas". Já sobre a União Económica e Monetária, sublinhou o quanto é importante os Estados membros terem finanças saudáveis. "É por isso que gostaria de reiterar aqui que o PSD é e continua a ser o partido português que defende uma política orçamental sólida e equilibrada."

Defendeu ainda que a união bancária tem de ser acelerada e simplificada para além dos mecanismos únicos de resolução e supervisão existentes, através da criação de um Fundo Europeu de Garantia de Depósitos. "Muito importante é o nosso orçamento de longo prazo para os próximos sete anos. Deve apoiar uma verdadeira política de convergência e de coesão."

O recrudescimento dos populismos na Europa devem primeiro ser abordados no interior do sistema político de cada país e, "acima de tudo, por uma grande reforma democrática dos partidos políticos".

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