Premium Outros bairros

Quando eu morava em Florença, mais especificamente no bairro de San Lorenzo, apanhava diariamente o autocarro para a universidade junto à praça do Duomo, bem no centro na cidade. Ali se concentravam (e presumo que ainda o façam) massas de turistas guiadas por chapéus-de-chuva e também os vendedores de rua e os pedintes que sempre as acompanham. Na esquina oposta à paragem estava sempre um senhor de muita idade, sentado no chão, com a caixa do violino aberta à sua frente enquanto torturava as cordas do instrumento e algumas melodias populares da música italiana. Eram poucas as moedas e percebia-se porquê, não só a arte não merecia o óbolo como era fisicamente doloroso aproximarmo-nos da fonte do ruído.

Foi uma lição que não esqueci, que a vida é a maior de todas as artes.

Num sábado de manhã em que fui correr (quando ainda corria e acordava aos sábados de manhã) dei com o tal senhor junto ao rio Arno, segurando o violino numa mão e o neto de 6 ou 7 anos na outra. Notei o orgulho nos olhos do garoto, ouvi-o pedir uma música e escutar deliciado, batendo palmas e sorrindo para o avô. Foi uma lição que não esqueci, que a vida é a maior de todas as artes.

Escritor

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

Os irados e o PAN

A TVI fez uma reportagem sobre um grupo de nome IRA, Intervenção e Resgate Animal. Retirados alguns erros na peça, como, por exemplo, tomar por sério um vídeo claramente satírico, mostra-se que estamos perante uma organização de justiceiros. Basta, aliás, ir à página deste grupo - que tem 136 000 seguidores - no Facebook para ter a confirmação inequívoca de que é um grupo de gente que despreza a lei e as instituições democráticas e que decidiu fazer aquilo que acha que é justiça pelas suas próprias mãos.

Premium

Margarida Balseiro Lopes

Falta (transparência) de financiamento na ciência

No início de 2018 foi apresentado em Portugal um relatório da OCDE sobre Ensino Superior e a Ciência. No diagnóstico feito à situação portuguesa conclui-se que é imperativa a necessidade de reformar e reorganizar a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), de aumentar a sua capacidade de gestão estratégica e de afastar o risco de captura de financiamento por áreas ou grupos. Quase um ano depois, relativamente a estas medidas que se impunham, o governo nada fez.