Planeta é só um!

"Planet B is fake news". Quem disse o contrário, já se sabe, mentiu. Abecedários à parte, verdade e facto continua a ser que é urgente termos um plano global para continuarmos a ter planeta. Todos os dias somos confrontados nos media com factos e imagens que nos descrevem como a nossa Terra se torna pela ação humana cada vez menos bela, menos harmoniosa e menos acolhedora, como quem se defende de uma agressão continuada. Infelizmente, a maioria destes dados já não são news e muito menos serão fake, até porque são validados pela realidade sentida em espectro global - desde a redução da precipitação na bacia mediterrânica ao degelo dos glaciares do Alasca. É certo que há hoje mais atenção às questões ambientais, como nos demonstrou a extraordinária atitude da juventude mundial, com a sua capacidade de mobilização global na luta pela preservação do planeta e do futuro. Já há mais respostas, como a reciclagem das embalagens e a reutilização do saco de plástico do jornal do fim-de-semana e do saco do supermercado (exemplos - entre os muitos que há - da simplicidade prática). No entanto, continuamos por descobrir ferramentas que tornem mais fácil globalizar a luta pela saúde do planeta e as medidas concretas que a expressam.

Às dúvidas acerca da validade do nosso contributo em questões do ambiente (e já agora também noutras) enquanto país pequeno, Portugal tem respondido com a enorme dimensão do exemplo. Como fruto dos investimentos nas renováveis, estamos à frente no cumprimento do Acordo de Paris e na redução das emissões de gases com efeito estufa. Mantém-se a ambição realista de, até 2030, reduzir as emissões em 50% e de, até 2050, em 85%, e continuam os esforços para otimizar a gestão dos resíduos e reduzir a área ardida. Foram inclusivamente aprovados nesta semana em Conselho de Ministros o Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 e a resolução que contempla a aquisição e locação de veículos de zero emissões por parte do setor empresarial do Estado.

Como convencer Trump e seguidores de que a Terra, generosa, mas finita nos seus recursos, é infinitamente mais valiosa do que o lucro? O percurso que Portugal tem feito nos últimos anos ilustra claramente uma resposta. O Partido Socialista, ao invés de imputar responsabilidades por resultados eleitorais à "crise no sistema político" de que a direita tem feito eco nesta semana, tem lutado por permanecer um partido não só com causas, mas com causas ligadas às pessoas e às suas necessidades. Neste caso em concreto, é a luta por um planeta melhor para todos. O modelo social da economia hipocarbónica é válido e gera riqueza pela articulação entre cidades e energias sustentáveis. Insustentável e desnecessário continua, claro, o contributo de qualquer instrumentalização política.

Deputada do PS

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