Premium O escândalo já não é o que era

Ao contrário de outros títulos que realizou, o novo filme de Lars von Trier, A Casa de Jack, não tem gerado grandes confrontos de ideias - tanto pior para as ideias.

Creio que todos os interessados em cinema têm alguma memória do escândalo protagonizado por Lars von Trier, na edição de 2011 do Festival de Cannes, durante a conferência de imprensa do seu filme Melancolia (que, aliás, valeria a Kirsten Dunst um prémio de interpretação). Referindo-se ao nazismo, o cineasta teceu algumas considerações francamente infelizes, confundindo a ligeireza do humor individual com a banalização das tragédias históricas coletivas. Mesmo considerando que terá sido um momento de pura precipitação (o que podemos admitir), o certo é que o festival reagiu, considerando-o persona non grata e solicitando a sua saída de Cannes (posição institucional que me pareceu correta).

Menos noticiado foi o facto de, oito anos mais tarde (em maio de 2018), o certame ter perdoado Lars von Trier, acolhendo-o de novo na sua seleção oficial: a sua longa-metragem The House That Jack Built, com Matt Dillon e Bruno Ganz, passou, extracompetição, em antestreia mundial. Perante uma quase geral indiferença mediática, o filme chegou nesta semana aos ecrãs portugueses, com o título A Casa de Jack.

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