Premium O escândalo já não é o que era

Ao contrário de outros títulos que realizou, o novo filme de Lars von Trier, A Casa de Jack, não tem gerado grandes confrontos de ideias - tanto pior para as ideias.

Creio que todos os interessados em cinema têm alguma memória do escândalo protagonizado por Lars von Trier, na edição de 2011 do Festival de Cannes, durante a conferência de imprensa do seu filme Melancolia (que, aliás, valeria a Kirsten Dunst um prémio de interpretação). Referindo-se ao nazismo, o cineasta teceu algumas considerações francamente infelizes, confundindo a ligeireza do humor individual com a banalização das tragédias históricas coletivas. Mesmo considerando que terá sido um momento de pura precipitação (o que podemos admitir), o certo é que o festival reagiu, considerando-o persona non grata e solicitando a sua saída de Cannes (posição institucional que me pareceu correta).

Menos noticiado foi o facto de, oito anos mais tarde (em maio de 2018), o certame ter perdoado Lars von Trier, acolhendo-o de novo na sua seleção oficial: a sua longa-metragem The House That Jack Built, com Matt Dillon e Bruno Ganz, passou, extracompetição, em antestreia mundial. Perante uma quase geral indiferença mediática, o filme chegou nesta semana aos ecrãs portugueses, com o título A Casa de Jack.

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Ferreira Fernandes

A Europa, da gasolina lusa ao palhaço ucraniano

Estamos assim, perdidos algures entre as urnas eleitorais e o comando da televisão. As urnas estão mortas e o nosso comando não é nenhum. Mas, ao menos, em advogado de Maserati que conduz sindicalistas podíamos não ver matéria de gente rija como cornos. Matéria perigosa, sim. Em Portugal como mais a leste. Segue o relato longínquo para vermos perto.Ontem, defrontaram-se os dois candidatos a presidir a Ucrânia. Não é assunto irrelevante apesar de vivermos no outro extremo da Europa. Afinal, num canto ainda mais a leste daquele país há uma guerra civil meio instigada pelos russos - e hoje sabemos, como não sabíamos ainda há pouco, que as guerras de anteontem podem voltar.

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Greta Thunberg

A Antonia estava em Estrasburgo e aproveitou para vir ao Parlamento assistir ao discurso da Greta Thunberg, que para ela é uma heroína. A menina de 7 ou 8 anos emocionou-se quando a Greta se emocionou e não descolou os olhos enquanto ela falava. Quando, no final do discurso, se passou à ronda dos grupos parlamentares, a Antonia perguntou se podia sair. Disse que tinha entendido tudo o que a Greta tinha dito, mas que lhe custava estar ali porque não percebia nada do que diziam as pessoas que estavam agora a falar. Poucos minutos antes de a Antonia ter pedido para sair, eu tinha comentado com a minha colega Jude, com quem a Antonia estava, que me envergonhava a forma como os grupos parlamentares estavam a dirigir-se a Greta.

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Margarida Balseiro Lopes

O governo continua a enganar os professores

Nesta semana o Parlamento debateu as apreciações ao decreto-lei apresentado pelo governo, relativamente à contagem do tempo de carreira dos professores. Se não é novidade para este governo a contestação social, também não é o tema da contagem do tempo de carreira dos professores, que se tem vindo a tornar um dos mais flagrantes casos de incompetência política deste executivo, com o ministro Tiago Brandão Rodrigues à cabeça.