Premium "State of the Union" – pesadelo na Terra. Trump leva o Óscar

Não preciso de dizer o quanto não gosto de Trump. É, portanto, incompreensível o que me fez ficar acordado até às 3.30 de quarta-feira para ver o discurso do Estado da Nação. Com Obama conseguia dormir. Estava minimamente seguro. Com Trump ninguém está. Vejo Stephen Colbert (SIC Radical) em bingewatch como quem vê uma novela, o The New York Times é para mim um jornal do bairro e a CNN passou a ser o meu canal - e Fareed Zakaria o seu profeta. Devo estar doente. Ou o mundo. Talvez os dois. Basta olhar para a capa de ontem da The Economist (que andou anos quase "negacionista"... e ver o título): "Alerta Crude - a verdade sobre o petróleo e as alterações climáticas".

A maior empresa do mundo de carburantes, a Exxon Mobil, prevê aumentar a exploração de petróleo em 25% e assegura que até 2030 a procura mundial vai crescer 13%. O facto de sermos cada vez mais seres humanos no planeta explicará certamente boa parte deste crescimento. A nossa inconsciência global também. E esta América, ainda o principal poluidor do mundo, não age a partir de Washington de forma a mudar o paradigma mundial. Vamos mesmo rebentar com o planeta?

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Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

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Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.