Assunção ao lado de Nuno Melo. CDS arranca para as europeias

A Festa da Família em Valongo, neste sábado, vai servir para o CDS dar o tiro de partida para as europeias. Assunção Cristas faz o discurso de rentrée ao lado de Nuno Melo, cabeça-de-lista do partido às próximas eleições. A líder vai também voltar a bater-se pela recondução de Joana Marques Vidal.

Paula Sá
Cristas vai fazer discurso da rentrée ao lado de Nuno Melo© Paulo Novais / Lusa

A líder centristas quis mudar o figurino da festa centrista de arranque do ano político e junta famílias no Parque Urbano de Ermesinde, Valongo, mas este será apenas o cenário para avançar com novas propostas para o país e muitas críticas ao governo. E sobretudo para mobilizar as bases centristas para os desafios de 2019, em particular as eleições europeias.

Num momento em que o PSD ainda não anunciou quem será o seu cabeça-de-lista às eleições para o Parlamento Europeu, as primeiras que se realizam no próximo ano, o CDS joga por antecipação e entra já em modo de campanha eleitoral. Nuno Melo, cujo rosto já aparece em muitos outdoors, vai discursar na festa ao lado de Assunção. O vice-presidente do CDS, Adolfo Mesquita Nunes, admite ao DN que "o CDS vai posicionar-se para este ano eleitoral". O slogan está escolhido - "A alternativa somos nós".

A líder do CDS, Assunção Cristas, garante ao DN que o slogan fala para o PS e o governo e não é uma demarcação politica do PSD. "É antes mais demonstrar ao país que temos trabalho consolidado em várias áreas, que somos mesmo alternativa". No sábado voltará o que já tinha dito no último congresso do partido: "Trabalharemos com realismo e humildade para ser a primeira escolha" no centro-direita.

A postura é, no entanto, diametralmente oposta à do PSD na dinâmica política. Na festa do Pontal, Rui Rio garantiu aos jornalistas que tudo fará para atrasar a entrada no período de campanha eleitoral, já que entende que isso prejudica a vida do país e o debate dos problemas nacionais.

Nas europeias de 2014, PSD e CDS concorreram coligados. Paulo Rangel, cabeça-de-lista da coligação, fez campanha ao lado de Nuno Melo, que integrou a lista da PAF (Portugal à Frente) ao Parlamento Europeu. Agora, nesta corrida para Bruxelas, o eurodeputado centrista vai correr em pista própria e vai contar com a presença muito constante da líder do seu partido durante o combate eleitoral. Fala neste sábado ao país a partir de Ermesinde.

Assunção Cristas recomeça o ano político embalada pela subida do CDS nas sondagens. Mas no partido há algumas reservas sobre o resultado dos estudos de opinião, que costumam menosprezar a base eleitoral do CDS. "O CDS não faz girar a sua ação política com base nas sondagens", garante Adolfo Mesquita Nunes. Mas admite que "é melhor ter sondagens positivas do que negativas". Fontes do partido admitem, contudo, que os resultados ajudam muito a mobilizar o partido para os combates eleitorais.

O vice-presidente do CDS, que está a coordenar a elaboração do programa eleitoral do partido, não quer comentar a descida do PSD na última sondagem tornada pública na imprensa. E não partilha da visão do antigo presidente do CDS Ribeiro e Castro, que na Universidade de Verão do PSD, que decorre em Castelo de Vide, defendeu que tem de existir "articulação" entre o CDS e o PSD se quiserem chegar ao poder nas próximas legislativas.

"O que Assunção sempre tem dito é que para fazer frente ao PS é preciso surgir uma maioria de 116 deputados para assumir o governo. O CDS está a fazer o possível para ter a maior fatia desses deputados", diz Adolfo Mesquita Nunes. Acrescenta ainda que esse caminho "faz-se com frontalidade e rigor e que nenhum voto no CDS irá parar ao bolso do Dr. António Costa".

Numa crítica implícita ao PSD de Rui Rio, que fez dois acordos com o governo e admite outros consensos, o dirigente centrista volta a sublinhar que o projeto alternativo ao PS e às esquerdas só pode ser construído com base no pressuposto que o CDS tem defendido "isoladamente". "Os votos no nosso partido não serão para sustentar a governação socialista."

Assunção vai neste sábado voltar a atacar o governo em áreas-chave, como a saúde e os transportes, e apresentar propostas alternativas nas áreas definidas no último congresso do CDS, entre as quais a natalidade, a demografia, o território, inovação. Entre as propostas que o CDS vai integrar no seu programa eleitoral estão uma descida faseada do IRS em quatro anos e o atual regime de teletrabalho, permitindo que o trabalho a partir de casa possa ser usado de forma mais flexível e por mais trabalhadores, um sistema a que chamam smartworking.

A ex-ministra da Agricultura vai dar destaque às medidas de apoio à natalidade, e voltará a defender o coeficiente familiar no IRS - medida adotada no governo PSD/CDS, e que foi eliminada pelo executivo de António Costa - como um dos melhores exemplos de fiscalidade amiga das famílias. A criação de um passe familiar, que não exceda um determinado valor independentemente do agregado familiar é outra das propostas que vai anunciar.

A líder do CDS vai ainda voltar ao tema da Justiça para defender que a atual procuradora-geral, Joana Marques Vidal, cujo mandato termina agora em outubro, deve permanecer no cargo.

O antigo presidente da Câmara de Lisboa Carmona Rodrigues é que também estará presente na festa do CDS. O que mostra cada vez mais intrusamente do ex-autarca na vida do CDS. Carmona, que está a coordenar a área do território no Gabinete de Estudos do CDS, está a preparar para o partido, no ultimo trimestre do ano, uma grande conferência sobre o clima e a água.

A conferência pretende aliar os dois temas aos desafios que se colocam ao interior, um tema que Assunção Cristas tem feito bandeira.