Ver para crer como São Tomé

Todos os caminhos vão dar ao Porto, hoje, onde arranca a Cimeira Social. Este acontecimento poderá fazer história na União Europeia, já que, pela primeira vez, todas as instituições da Europa e parceiros sociais deverão assinar um acordo para a implementação do Plano de Ação sobre o Pilar Europeu dos Direitos Sociais.
O primeiro-ministro acredita na importância deste "marco histórico". Já os trabalhadores europeus querem ver para crer, como São Tomé, e perceber em que é que tudo isto se traduz, na prática, em termos de proteção dos seus direitos.

"Se conseguirmos na Cimeira Social obter pela primeira vez um compromisso em que o Conselho e a Comissão assinam um acordo com a central europeia dos sindicatos, a ETUC, com a Business Europe, que é a associação das SIBS europeia, com a confederação das pequenas e médias empresas (PME) europeias, com a confederação das empresas dos serviços gerais, então é a primeira vez na história da União Europeia que há um acordo geral que reúne todos os parceiros sociais e as instituições europeias", explicou ontem António Costa.

É a este propósito que a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social , Ana Mendes Godinho, dá hoje ao Diário de Notícias e à TSF uma entrevista em que explica a importância deste encontro, considerado o momento alto da presidência portuguesa da UE, até junho. Alcançar um compromisso com esta amplitude é sinal de coesão. Já em 2017 em Gotemburgo, na Suécia, tinha havido uma declaração que teve um acordo a nível institucional, mas não foi assinado por nenhum parceiro social. Nesta tarde deverá ser diferente: chefes de Estado e de governo, dirigentes sindicais, dirigentes de empresas, membros da sociedade civil e académicos marcam presença.

Aos temas de conversa com a governante juntámos ainda as questões acerca do futuro enquadramento legal que regulará o teletrabalho e, claro, a situação triste e preocupante vivida por trabalhadores agrícolas em Odemira, no Alentejo. Foi a pandemia que revelou estas vidas, pouco vividas e muito sofridas, e ainda bem. Numa Europa que se quer mais justa, social e forte estas situações não podem ser admissíveis. Tal como à mulher de César, à Europa não basta ser séria e justa, é preciso parecer.

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