NBA com delay para evitar insultos e palavrões?

Medida pretende evitar linguajar desapropriado audível com o silêncio dos pavilhões sem público, a exemplo do que acontece nos Óscares e no Super Bowl.

O silêncio pode ser ensurdecedor e também revelador de alguns palavrões. Por isso a NBA pondera transmitir os jogos de basquetebol com atraso ou em diferido, a exemplo do que acontece nos Óscares e no Super Bowl, para dar tempo de camuflar o linguajar desapropriado e não ferir os ouvidos dos mais pudicos americanos. Afinal a indústria dos 900 milhões de euros tem uma reputação a manter. Sem os fervorosos adeptos no pavilhão a criar som ambiente o mais provável é que se ouça tudo o que é dito no campo, incluindo os palavrões mais usados no calor de uma disputa de bola, como fuck (foda-se), shit (merda), damn (diabo), crap (merda), piss (irritar), dick (pila), son of a bitch (filho da puta), asshole (estúpido), fag (gay), bastard (cabrão) ou douche (idiota). Algo que vai contra as regras, a moral e os bons costumes. "Os jogadores sabem que quando estão em campo dizem coisas que não se saberão por causa do barulho tremendo nos pavilhões. Quase nada é ouvido. Agora terão de cuidar um pouco dessa linguagem, adaptar-se, porque os microfones vão captar muitas coisas que normalmente não captam. Com total seriedade, talvez tenhamos de transmitir os jogos na televisão com um pequeno atraso", admitiu nesta semana o comissário Adam Silver.

O uso de palavrões assim como os insultos já são proibidos na NBA. Caso um jogador/treinador use um linguajar inadequado é-lhe assinalada uma falta técnica. No caso de duas faltas desse tipo, o jogador/treinador é excluído. E há também multas de vários milhares de euros. Em 2018, a NBA multou Kevin Durant, jogador dos Golden State Warriors, em 25 mil dólares (cerca de 22 mil euros) por insultar um espectador durante um jogo com os Dallas Mavericks. As proibições estendem-se às entrevistas de fim de jogo. Em 2017 Marc Gasol teve de pagar cerca de 13 mil euros por causa de um palavrão. "Finalmente ganhámos, foda-se", atirou o basquetebolista dos Memphis Grizzlies após uma série de 11 derrotas seguidas.

Regras essas que se estendem à versão virtual do campeonato, numa tentativa de criar um "ambiente online mais civilizado". Pode parecer impossível, mas as versões para PlayStation e para Xbox do NBA 2K4, penaliza os jogadores com falta técnica quando dizem asneiras.

Embora reine a regra do decoro, dizer palavrões na televisão norte-americana deixou de ser proibido em 2010, ano em que um tribunal de recurso de Nova Iorque considerou "inconstitucional" a lei criada em 2004 pela Federal Communications Commission (órgão regulador do setor de telecomunicações americano), que multava as estações por uso de palavrões. Qualquer palavra relacionada com sexo ou órgãos sexuais era considerada indecente, algo que, segundo o tribunal, violava a 1.ª Emenda da Constituição americana, que garante o direito à liberdade de expressão. Desde então, Fox, ABC, CBS e NBC passaram a desafiar o regulador.

Emitir os jogos com atraso também ajudaria a controlar manifestações exacerbadas a favor do movimento Black Lives Matter, como o ajoelhar de um joelho durante o hino: "Não me sinto à vontade com a palavra permitir. A regra que diz que os jogadores se devem levantar data do início dos anos 1980, antes mesmo de David Stern ser o comissário. Também entendo a importância dos protestos atuais. É algo sobre o qual falaremos mais tarde."

O campeonato parou a 11 de março, após o primeiro caso de covid-19 (o francês Rudy Gobert) e a retoma está prevista para 30 de julho... se a pandemia deixar. A NBA decidiu fechar-se no complexo da Walt Disney World, em Orlando, na Florida, agora uma das áreas com maior número de infetados nos EUA. As 22 equipas já estão em confinamento e o comissário Adam Silver confia que os 259 jogos e os playoffs daquela que é considerada a maior liga de basquetebol do mundo vão mesmo realizar-se.

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