Os calções do presidente

Acordo banhado em suor, são sete da manhã e vai ser um dia difícil. Desisto do sono e vou regar as plantas aproveitando para me regar a mim. Na parede do pátio há osgas que mais parecem dragões-de-komodo, os tomateiros e os piripíris estão secos como folhas de chá. Nenhum ruído na vizinhança, nenhum movimento, é um verão nuclear. O sol assassino, branco e inclemente, é o centro da explosão.


Desço os estores e abrigo-me no sofá. Na televisão o incêndio de Monchique, a Amareleja, gente que se abana e diz que não aguenta, os cientistas confirmam - está calor.


Só o Presidente Marcelo oferece algum alívio, emoldurado por pinheiros-bravos, o rosto expressivo, não sei quê dos partidos e da oposição, a imaculada pose de estado em calções de natação.

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nuno camarneiro

Uma aldeia no centro da cidade

Os vizinhos conhecem-se pelos nomes, cultivam hortas e jardins comunitários, trocam móveis a que já não dão uso, organizam almoços, jogos de futebol e até magustos, como aconteceu no sábado passado. Não estou a descrever uma aldeia do Minho ou da Beira Baixa, tampouco uma comunidade hippie perdida na serra da Lousã, tudo isto acontece em plena Lisboa, numa rua com escadinhas que pertence ao Bairro dos Anjos.

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Rui Pedro Tendinha

O João. Outra vez, o João Salaviza...

Foi neste fim de semana. Um fim de semana em que o cinema português foi notícia e ninguém reparou. Entre ex-presidentes de futebol a serem presos e desmentidos de fake news, parece que a vitória de Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos, de Renée Nader Messora e João Salaviza, no Festival do Rio, e o anúncio da nomeação de Diamantino, de Daniel Schmidt e Gabriel Abrantes, nos European Film Awards, não deixou o espaço mediático curioso.