Novo resort de luxo quer estrelas da música mundial a gravar discos no Algarve

Está a nascer no interior do Algarve um complexo turístico de luxo que pretende "acabar com o conceito de época baixa". Além de hotel, casas e golfe, terá um estúdio de gravação e um observatório astronómico.

Madonna pode estar de malas feitas, mas Portugal vai continuar a dar música às estrelas internacionais. No interior do Algarve está a nascer um resort de luxo, onde além de moradias e quartos de hotel deverá nascer um estúdio profissional de gravação. O objetivo, diz o CEO do Ombria Resort, é "atrair estrelas da música mundial para a região" e transformar o barrocal algarvio na Abbey Road portuguesa.

"Queremos fazer coisas originais que não existem no sul da Europa. Além do estúdio teremos um observatório astronómico e queremos organizar residências artísticas com workshops lecionados por artistas de todo o mundo, dirigidos tanto a clientes do resort como aos habitantes locais", conta Júlio Delgado em entrevista ao Dinheiro Vivo.

O objetivo das iniciativas é "acabar com a sazonalidade do turismo do Algarve", destaca o CEO. Com esse fim em mente, os responsáveis do Ombria Resort têm-se reunido com o diretor do aeroporto de Faro e com a Associação de Turismo de Portugal (ATP) para "alinhar estratégias e tentar fazer algo que nunca foi feito em Portugal".

O projeto está desenhado há anos, mas só neste mês deverá obter a última licença necessária para que as obras possam começar. A abertura do Ombria Resort chegou a estar anunciada para o final de 2019, mas a data tem derrapado devido à "burocracia".

As novas previsões apontam para que os trabalhos no terreno arranquem em maio e que os primeiros edifícios sejam inaugurados no "segundo ou terceiro trimestre" de 2021. O projeto só deverá chegar ao fim "dentro de dez ou 15 anos", dependendo do ritmo de vendas. O investimento total será de 260 milhões de euros e é suportado pelo grupo finlandês Pontos.

"Quando se faz um projeto desta dimensão, é possível saber quando começa mas não quando acaba. O processo de obtenção de licenças é muito longo porque depende da câmara, do turismo, das organizações ambientais, entre outros. O resort está localizado numa zona muito privilegiada e tanto para nós como para as autoridades a questão ambiental é de extrema importância."

O resort chegou a ser alvo de contestação em 2014 por parte de organizações ambientalistas, que alertavam para o possível impacto negativo do projeto numa zona de paisagem protegida. O desenho sofreu alterações entretanto para ser "totalmente sustentável e integrado na paisagem" do interior algarvio, garante.

A primeira fase do resort inclui um hotel de cinco estrelas da marca Viceroy, um grupo norte-americano que se estreia em Portugal, campo de golfe, centro de conferências, spa e uma zona de restauração. Ainda no primeiro lote incluem-se 65 apartamentos de uso turístico, geridos pelo hotel, que os proprietários poderão frequentar durante dez semanas por ano. Nas restantes 42 semanas, a casa será arrendada, tendo o proprietário direito a receber 5% do valor anual das rendas. Quando o projeto estiver concluído, terá 350 casas de uso turístico e 31 moradias residenciais.

As vendas ainda não começaram, mas os promotores estão otimistas. "Por falta de licenças ainda não temos o plano de marketing, mas já começámos a sondar o mercado. Portugal tem estado em alta nos últimos anos mas já se fala numa estagnação do turismo e do imobiliário. Com um projeto desta dimensão, tínhamos de perceber qual a recetividade. Fizemos um soft launch e está a ser uma boa surpresa. Num ano recebemos 1200 manifestações de interesse", conta Júlio Delgado.

O que também surpreendeu os promotores foi a origem dos possíveis investidores. "Sabemos que no Algarve os ingleses e os franceses têm muita importância, mas tivemos 20 nacionalidades interessadas." E ao contrário do que acontece em resorts vizinhos, como a Quinta do Lago ou Vale de Lobo, o Ombria "não será composto por 70% ou 80% de britânicos", prevê.

"Pela natureza do empreendimento, que tem uma ligação próxima ao ambiente e é aberto às comunidades e à cultura local, vamos focar-nos mais em mercados como a Escandinávia e a Europa Central. E com a marca Viceroy pretendemos alcançar também o público norte-americano e o canadiano e o Médio Oriente, que ainda não frequentam muito o Algarve."

É por isso que Júlio Delgado não está preocupado com fatores externos como o Brexit, que "no máximo poderá ter impacto no desenvolvimento das casas da segunda e terceira fases, mas não nos fará adiar os planos".

E também desvaloriza a concorrência de luxo que existe no Algarve, tanto em hotelaria como na restauração. Júlio Delgado não promete restaurantes com estrelas Michelin, mas garante que o Ombria será "único, complementar e não rival do que já existe" no sul de Portugal. "Não faz sentido criar outra Quinta do Lago. Já inaugurei muitos resorts no mundo e acredito que este será o mais original de todos. Vamos dinamizar o interior do Algarve e acabar com o conceito de época baixa".

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