Nós também já fomos eles

"Os filhos já não querem saber da gente, estamos velhos, mas nós também já fomos eles."

A frase, ouvida por acaso na fila da farmácia, é dessas que se multiplicam em sentidos e vão furando o espírito a cada volta que lhe damos. Mais do que um lamento ou desabafo, pareceu-me aquilo uma graça, cínica e amarga, mas uma graça, e o sorriso da senhora comprovava.

"Pode ser, mas havia mais respeito", disse ainda o interlocutor, o corpo trémulo, a voz impositiva.

"Ó senhor Simões, respeito? Às vezes... outras nem tanto assim..."

E em três penadas escritas no ar assético de uma farmácia de bairro ficou descrita a tragédia humana, os enganos da memória e o humor resistente de uma bela sexagenária.

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