Premium Vice-reitor da Católica: "Faculdade de Medicina é o futuro a dois/três anos"

José Manuel Pereira de Almeida é médico, padre e professor. Está no cargo de vice-reitor da Universidade Católica quase há um mês, desde 13 de setembro. A Faculdade de Medicina é um desafio a médio prazo, mas há outro: dar mais importância às pessoas do que aos números.

Dr. Pereira de Almeida ou padre Zé Manel. Tanto faz, é um só. Como diz, "sou um conjunto de aspetos e de características" que "o crescimento ajudou a melhorar." Mas é sobretudo alguém que está atento aos outros, à sua vulnerabilidade e ao seu cuidado. É assim que se define José Manuel Pereira de Almeida, o novo vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP). É médico, padre, professor, amante da música de Caetano Veloso, "não perdi o último concerto em Lisboa", e um leitor de livros, ainda lê os que a mãe, com 95 anos, professora de Português e de Latim, lhe recomenda. O vice-reitor Pereira de Almeida - que substitui Tolentino Mendonça no cargo - tem 66 anos, nasceu em Lisboa, e foi para aqui que quis sempre voltar, mesmo depois de ter estudado em Itália, de ter andado pelo Alentejo já como médico ou pelas Beiras. Cresceu dentro da igreja, nos grupos de jovens, fez parte do movimento da Capela do Rato e um dia pensou que o sacerdócio poderia ser a sua missão, mas foi aconselhado a ir para médico primeiro e amadurecer. Foi o que fez. Mas a hipótese ganhou força, anunciou-o aos pais, num jantar em Évora, quando pensavam que lhes ia apresentar a namorada. Mas quem é Pereira de Almeida ou o padre Zé Manel? Ou o novo vice-reitor da Católica?

É o novo vice-reitor da Universidade Católica. Consegue definir-se em poucas palavras?

Ler mais

Exclusivos

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Os deuses das moscas

Com a idade, tendemos a olhar para o passado em jeito de balanço; mas, curiosamente, arrependemo-nos sobretudo do que não fizemos nem vamos já a tempo de fazer. Cá em casa, tentamos, mesmo assim, combater o vazio mostrando um ao outro o que foi a nossa vida antes de estarmos juntos e revisitando os lugares que nos marcaram. Já fomos, por exemplo, a Macieira de Cambra em busca de uma rapariga com quem o Manel dançara um Verão inteiro (e encontrámo-la, mas era tudo menos uma rapariga); e, mais recentemente, por causa de um casamento no Gerês, fizemos um desvio para eu ir ver o hotel das termas onde ele passava férias com os avós quando era adolescente. Ainda hoje o Manel me fala com saudade daqueles julhos pachorrentos, entre passeios ao rio Homem e jogos de cartas numa varanda larga onde as senhoras inventavam napperons e mexericos, enquanto os maridos, de barrigas fartas de tripas e francesinhas no ano inteiro, tratavam dos intestinos com as águas milagrosas de Caldelas. Nas redondezas, havia, ao que parece, uma imensidão de campos; e, por causa das vacas que ali pastavam, os hóspedes não conseguiam dar descanso aos mata-moscas, ameaçados pelas ferradelas das danadas que, não bastando zumbirem irritantemente, ainda tinham o hábito de pousar onde se sabe.