Premium Processos da EMEL e problemas de condomínio enchem tribunais dos juízes sem beca

Vizinhos que não se entendem, problemas com seguradoras, cancelamento de voos e até amizades que se estragam devido a confusões de negócios. Há cada vez mais portugueses a pedir a ajuda dos julgados de paz, por onde já passaram 115 mil pessoas.

São mais rápidos, mais baratos e mais eficazes do que os tribunais judiciais, mas 17 anos depois de terem sido criados ainda são pouco conhecidos. Dos quatro iniciais, há agora 25, que ainda não abrangem o país inteiro. Aos julgados de paz chegam dívidas de condomínio e de arrendamento, mas também problemas com transportadoras aéreas, operadoras de telecomunicações, companhias de seguros ou processos movidos pela EMEL e Carris. Tratam dos pequenos conflitos que dão grandes dores de cabeça às pessoas. Mais de 115 mil portugueses já recorreram a estes tribunais extrajudiciais que nasceram para "tentar a paz", como define Cardona Ferreira, juiz conselheiro e presidente do conselho dos julgados de paz.

Casos como o dos dois homens que, no início do mês de maio, se encontraram frente-a-frente no tribunal de Lisboa para tentar chegar a acordo sobre uma dívida, como o DN testemunhou, não são comuns, mas a tentativa de resolver a bem o conflito e evitar o julgamento é sempre a estratégia adotada.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.

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Maria do Rosário Pedreira

Os deuses das moscas

Com a idade, tendemos a olhar para o passado em jeito de balanço; mas, curiosamente, arrependemo-nos sobretudo do que não fizemos nem vamos já a tempo de fazer. Cá em casa, tentamos, mesmo assim, combater o vazio mostrando um ao outro o que foi a nossa vida antes de estarmos juntos e revisitando os lugares que nos marcaram. Já fomos, por exemplo, a Macieira de Cambra em busca de uma rapariga com quem o Manel dançara um Verão inteiro (e encontrámo-la, mas era tudo menos uma rapariga); e, mais recentemente, por causa de um casamento no Gerês, fizemos um desvio para eu ir ver o hotel das termas onde ele passava férias com os avós quando era adolescente. Ainda hoje o Manel me fala com saudade daqueles julhos pachorrentos, entre passeios ao rio Homem e jogos de cartas numa varanda larga onde as senhoras inventavam napperons e mexericos, enquanto os maridos, de barrigas fartas de tripas e francesinhas no ano inteiro, tratavam dos intestinos com as águas milagrosas de Caldelas. Nas redondezas, havia, ao que parece, uma imensidão de campos; e, por causa das vacas que ali pastavam, os hóspedes não conseguiam dar descanso aos mata-moscas, ameaçados pelas ferradelas das danadas que, não bastando zumbirem irritantemente, ainda tinham o hábito de pousar onde se sabe.