Premium Philip Roth no país de Trump

A obra de Philip Roth contém algumas das páginas mais admiráveis que se escreveram sobre a América das últimas décadas. Com ou sem o seu beneplácito, o cinema e a televisão não lhe são indiferentes.

Oito meses antes do seu falecimento, o escritor americano Philip Roth (1933-2018) publicou uma coletânea de memórias, entrevistas e ensaios, incluindo alguns inéditos, intitulada Why Write? (Library of America, 2017). São páginas fascinantes de alguém que manteve uma reflexão tão obstinada quanto exigente sobre as convulsões do seu país e, em particular, o lugar do escritor no interior dessas convulsões.

São dele estas palavras, proferidas numa sessão de celebração do seu 80.º aniversário, a 19 de março de 2013, no Museu de Newark: "(...) esta paixão pela especificidade das coisas, pela hipnótica materialidade do mundo em que vivemos, surge de modo fundamental na tarefa assumida por todos os romancistas americanos, desde Melville e a sua baleia ou Mark Twain e o seu rio: encontrar em palavras a descrição mais tocante e mais sugestiva para dar conta da mais remota das pequenas coisas que fazem da América o que ela é. Sem uma sólida representação da coisa - animada ou inanimada -, sem uma representação decisiva do real, não há nada" (traduzo da edição francesa, Pourquoi Écrire?, Folio/Gallimard, 2019).

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