Premium O nosso rainha da Inglaterra

Bolsonaro não ficaria bem com aqueles tailleurs rosa-pompom, amarelo-táxi ou verde-abacate da querida Isabel II.

Em seus arranca-rabos quase diários com o Congresso Nacional, o presidente Jair Bolsonaro acusou os deputados e senadores brasileiros de, ao vetar sistematicamente seus decretos, estarem tentando transformá-lo "na rainha da Inglaterra" - aquela que reina, mas não governa. Isso não lhe deveria ser um problema porque, como demonstrarei dentro de algumas linhas, ele está fazendo de tudo para se tornar exatamente a "rainha da Inglaterra". Mas, supondo que seja verdade, vejamos como Bolsonaro ficaria com aqueles tailleurs, luvinhas e chapéus rosa-pompom, amarelo-táxi ou verde-abacate usados pela querida Isabel II.

Ele não ficaria bem. As cores tão incomuns dos tailleurs de Isabel são uma exigência dos homens que zelam por sua segurança - para que, nas muitas cerimónias públicas a que ela comparece, eles possam distingui-la rapidamente no meio da multidão. Bolsonaro, ao contrário, com frequência veste-se com a camisola dos clubes de futebol, que o tornam um entre milhares. Outro dia, num estádio em Brasília, vestiu a camisola do Flamengo, confundindo-se com 100% dos adeptos, que usavam a mesma camisola. Além disso, a rainha Isabel é, à sua maneira, uma mulher elegante. Ela jamais se deixaria fotografar fazendo aquele gesto cafona, de quem está formando um coraçãozinho com os dedos, ou, o mais frequente, de quem está dando um tiro com um revólver, como Bolsonaro vive fazendo. A rainha Isabel se dá ao respeito.

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