Premium Matilde

Quando há muitos anos trabalhava sobre associações de doentes, e me deparei com a dificuldade que havia em fazer chegar medicamentos a pessoas com doenças raras, percebi pela primeira vez a dimensão do poder da indústria farmacêutica nas opções que nos afetam a todos em matéria de cuidados. Mais tarde, confrontei-me ainda mais diretamente com essa realidade quando tive em mãos a elaboração da legislação de combate aos medicamentos falsificados.

A indústria farmacêutica compra decisores políticos, recebe milhões de financiamento público para a investigação e produção de medicamentos e tem ainda a capacidade de fazer escolhas indiretas sobre quem terá mais hipóteses de sobreviver. Sendo um dos setores mais lucrativos do mundo, mesmo quando recebe dinheiros públicos, tem toda a liberdade. Se um medicamento pode salvar vidas, mas não há "mercado" suficiente, porque são poucas as pessoas que dele precisam, não se deve esperar poder contar com a indústria farmacêutica para avançar na procura de uma solução. Esta é a triste regra. Nos poucos casos em que há uma decisão de avançar, o preço a pagar é impossível para qualquer cidadão comum.

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