Premium Mais e melhor democracia

Viver com os media costumava ser uma experiência simples. Em virtude do avanço da tecnologia, o acesso até está, claro, atualmente cada vez mais fácil... A informação tem vários formatos, ao gosto de cada um. Todavia, a outros níveis, na televisão, nas redes, na rádio e até no jornal, está tudo mais complexo. As redes sociais e as fake news populistas trouxeram a necessidade acrescida de verificar factos e afirmações e o perigo do chamado "efeito bolha". E o confronto com a realidade do mundo não poderá, também ele, ser ambíguo e complexo? Por um lado, há o desalento das notícias, dos artigos de opinião e dos posts que dão força às ideologias negativas que radicalizam a nacionalidade e teimam em recusar à ajuda humanitária aos migrantes uma dimensão global, por exemplo. Aquelas ideologias que querem fazer tábua rasa, pela negação, da memória da democracia. Por outro lado, é também verdade que há esperança. Na doença da bebé Matilde, ficou patente - inclusivamente por via do Serviço Nacional de Saúde - que é também a solidariedade que nos une. Tal como no caso da Capitana Carola (o nome e as circunstâncias não lembram os do célebre Capitano Corelli?), que envia uma poderosa mensagem aos Trumps e aos Salvinis do nosso mundo.

Já se tem teorizado muito sobre a relação dos media com a democracia, nomeadamente sobre a forma como estes podem influenciar eleições e abrir a porta a populismos. A democracia tem de se adaptar a uma era e a uma sociedade cada vez mais digitais e cada vez mais exigentes do ponto de vista da participação do cidadão na decisão política efetiva. É fulcral conseguirmos que a democracia consiga, com sucesso, implementar a dinâmica da proximidade. Também sobre a abstenção tem-se refletido muito e frequentemente com a mesma conclusão - é urgente agir. A questão que se põe é invariavelmente a mesma - como?

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