Premium Gauri van Gulik: "As migrações não são a causa do aumento do populismo. É o medo"

Para a diretora da Amnistia Internacional Europa, "a grande ameaça são os partidos do centro, que adotam as políticas da extrema-direita para a tentar conter".

Gauri van Gulik sorri e diz que tem "esperança". Essa é a notícia numa entrevista com a mulher, holandesa, que liderou a Amnistia Internacional (AI) Europa nos últimos tempos. É claro que o pessimismo também tem um papel, numa conversa que inclui a forma como estão a ser tratados os refugiados, as mortes no Mediterrâneo, o crescimento da extrema-direita, a desinformação. Mas Gauri, que deixa a AI no final de julho, garante que há "sinais de mudança".

E tem uma prioridade para o que vai fazer no futuro: combater a "criminalização da solidariedade". Até em problemas sérios, e persistentes, como o da violência doméstica em Portugal, mostra alguma confiança: "É uma questão de vontade política. Portugal pode, e deve, implementar o que está na Convenção de Istambul. É possível acabar com a violência doméstica."

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.