Premium Christine Lagarde no BCE?

Um banco central, como o Banco da Inglaterra ou o Banco Central Europeu (BCE), existe para gerir as moedas nacionais ou das uniões monetárias. Nessa gestão, tem de se preocupar com o controle da inflação e, seguindo teorias já com algumas décadas, mas em que muitos ortodoxos não querem acreditar porque não lhes convém, com a correcta gestão da moeda de que as economias necessitam para a actividade corrente. Perante essas duas funções, natural tem sido que haja um determinado grau de coordenação política entre bancos centrais e governos nacionais, pois são funções em que diferentes políticas se cruzam. Essa coordenação nem sempre existiu com a mesma força, por esse mundo fora, e houve ocasiões de conflito entre governos e bancos centrais, mas era uma das garantias da correcta gestão da política monetária, financeira e económica.

Entretanto, algures na década de 1990, por razões que têm que ver com aquelas ideias a que muitos gostam de chamar "neoliberais" (mas que no fundo não são mais do que pretextos de concentração de poder económico e que de liberais pouco ou nada têm), começou a surgir uma onda a defender que os bancos centrais deveriam ser independentes dos governos. Por outras palavras, tratava-se de pôr na mão de instituições sem controlo democrático a gestão de uma parte importante das políticas nacionais. Não faz sentido nenhum, claro, mas o poder económico transformado em poder político consegue vender bem as ideias que quer, incluindo estas. E muita gente acreditou mesmo que bancos centrais afastados dos governos controlavam melhor a inflação (que foi grave nos anos 1970 e 1980, mas não depois) e - pelo que até agora se disse, já não devia haver lugar para espanto - o crescimento económico. Claro que estas ideias se venderam melhor junto de eleitorados menos informados, com instituições mais recentes e menos consolidadas, como o português, onde foram levadas o mais longe possível. Em países institucionalmente mais avançados, como os Estados Unidos, a Grã-Bretanha ou a Suécia, elas não tiveram tanto sucesso e os governos mantiveram algum controlo sobre os respectivos bancos centrais, tal como devia ser. A Alemanha às vezes aparece como um caso à parte, antes do euro, mas não o foi. Não havendo aqui espaço para explicar tudo, basta recordar que o banco central alemão foi criado pelos EUA, logo a seguir à Segunda Guerra Mundial.

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