Premium O Natal do nosso descontentamento

A empregada da caixa debruça-se um pouco e diz-me baixinho:

- Já ouvi o White Christmas cem vezes hoje, não há nada pior do que o Natal...

Não são só as músicas, é também a publicidade histriónica, os especiais na TV, os enfeites comprados nos chineses, os pais natais deprimentes e os presépios de plástico nos centros comerciais...

Os quarenta minutos que passei no supermercado foram suficientes para lhe dar razão. A playlist de versões histéricas dos clássicos natalícios não dura mais que um quarto de hora, depois repete e repete e mais ainda. Um tormento para quem anda às compras, uma tortura para quem lá trabalha.

A pergunta põe-se todos os anos e vai sendo mais urgente: por que raio insistimos em destruir o Natal? Não são só as músicas, é também a publicidade histriónica, os especiais na TV, os enfeites comprados nos chineses, os pais natais deprimentes e os presépios de plástico nos centros comerciais... Chega, não há paciência. A única coisa que eu quero para o Natal é que acabe este Natal.

Escritor

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nuno camarneiro

O Mourinho dos Mourinhos

"Neste país todos querem ser Camões mas ninguém quer ser zarolho", a frase é do Raul Solnado e vem a propósito do despedimento de José Mourinho. Durante os anos de glória todos queriam ser o Mourinho de qualquer coisa, numa busca rápida encontro o "Mourinho da dança", o "Mourinho da política", o "Mourinho da ciência" e até o "Mourinho do curling". Os líderes queriam ter a sua assertividade, os homens a sexyness grisalha e muitas mulheres queriam ter o Mourinho mesmo.