Premium Ibrahimovic: um ego do tamanho do mundo e ainda cobiçado aos 37 anos

Após um excelente ano nos Estados Unidos, o AC Milan está interessado no regresso do avançado que, curiosamente, começou a marcar mais golos depois dos 30 anos. Recorde alguns episódios da carreira e as frases mais marcantes do polémico jogador.

Não serão muitos os jogadores que aos 37 anos podem gabar-se de serem pretendidos por grandes clubes europeus. Muito menos depois de já terem atravessado o Atlântico, após várias épocas de grande nível no Velho Continente, rumo aos Estados Unidos, para o que se julgava ser uma reforma dourada. Zlatan Ibrahimovic, conhecido por ter um ego do tamanho do mundo, tem assim mais um motivo para se sentir orgulhoso, caso a transferência para o AC Milan na reabertura do mercado de janeiro se concretize. Como tudo leva a crer.

O emblema italiano está muito longe da glória de outros tempos (tem no palmarés sete Ligas dos Campeões, cinco Supertaças Europeias e 18 Ligas italianas), mesmo que no banco esteja alguém que participou nas maiores conquistas do clube: Gennaro Gattuso. Nos últimos anos, a Juventus tem dominado por completo o campeonato italiano e o clube milanês anda adormecido - faz nesta época 12 anos que os rossoneri venceram pela última vez a Champions e nas últimas cinco temporadas nem sequer conseguiram marcar lugar na prova. Ibra, que já representou o clube, pode ser por isso uma preciosa ajuda para reforçar o plantel, de modo a que os rossoneri consigam retomar esse passado europeu.

Paolo Maldini, uma das maiores figuras da história do AC Milan, que agora ocupa o cargo de diretor, admite as dificuldades que a equipa enfrenta, assumindo também que Zlatan interessa: "Ibrahimovic? Se for possível, estaremos lá. Temos várias ideias para o mercado porque queremos voltar aos quatro primeiros lugares." Atualmente, a equipa que Maldini capitaneou durante vários anos está precisamente no 4.º posto, a 15 pontos da Juventus de Cristiano Ronaldo. Mas a luta com o rival Inter Milão ou com equipas como a AS Roma, a Lazio e até o Torino promete.

"Os jogadores e o clube acreditam e o nosso objetivo é chegar à Champions. Mas não escondemos as dificuldades. É um objetivo ambicioso e existem várias limitações ao investimento, mas acreditamos no treinador e qualquer coisa mudou na cabeça dos jogadores. Melhorámos muito, mas falta ainda recuperar a nossa identidade", acrescentou Maldini, que enquanto jogador dos rossoneri venceu sete campeonatos e cinco Ligas dos Campeões.

E pode ser neste contexto que Ibrahimovic regresse a uma equipa onde jogou duas épocas (2010-2011 e 2011-2012) e apontou 56 golos em 85 jogos, após uma experiência pouco positiva no Barcelona, clube no qual a relação com Pep Guardiola não foi a melhor. E a julgar pelo que tem feito nos LA Galaxy, onde chegou em março depois de deixar o Manchester United de José Mourinho, ninguém duvida que, mesmo com 37 anos, pode ser um reforço de peso para Gattuso.

Na MLS, a liga norte-americana de futebol, Zlatan apontou 22 golos em 27 jogos e ganhou o prémio de melhor jogador no seu primeiro ano na Major League Soccer. A tal reforma dourada, que parece agora a caminho de uma interrupção, foi marcada por golos, como o sueco bem habituou os clubes por onde passou.

Depois dos 30 vieram as épocas com mais golos

Curiosamente, foi depois de vários anos ao mais alto nível e muitos golos marcados (ao serviço de Malmö, Ajax e Juventus) que Zlatan Ibrahimovic começou a fase mais goleadora da sua carreira. Até então com um recorde de 29 golos em 2008-2009, no Inter, foi a partir dos 30 anos que surgiram as épocas mais concretizadoras do avançado sueco.

Depois de na primeira época no AC Milan, onde chegou em 2010-2011 por empréstimo do Barcelona, ter alcançado 21 golos, arrancou para a melhor sequência da sua carreira logo na temporada seguinte, ao marcar 35 pelos rossoneri.

Nas quatro temporadas que se seguiram, já no milionário Paris Saint-Germain, marcou 35, 41, 30 e 50, respetivamente, antes da mudança para Inglaterra, onde reencontrou José Mourinho, que o havia treinado no Inter. No Manchester United, e já com 35 anos, marcou 28 golos na época 2016-2017.

Aliás, foi com José Mourinho que conquistou a mais importante prova europeia de clubes da carreira, a Liga Europa (2016-17), apesar de só ter participado na campanha dos red devils até aos quartos-de-final, quando se lesionou com gravidade contra o Anderlecht, em Old Trafford. O gigante sueco de quase dois metros falhou o jogo decisivo frente à equipa que o catapultou para a ribalta do futebol europeu e mundial, o Ajax. Até então, o único título que tinha em provas da UEFA era uma Supertaça Europeia ao serviço do Barcelona, o colosso europeu onde acabou por ter menos sucesso.

A maldição da Liga dos Campeões

Apesar de ter representado alguns dos melhores clubes do mundo, o avançado nunca conseguiu vencer uma Liga dos Campeões. Esteve perto de concretizar esse objetivo em duas ocasiões, mas o destino levou-o para outras paragens precisamente nos anos em que as suas ex-equipas ergueram a "orelhuda".

Depois de Ibra trocar o Inter Milão pelo Barcelona, José Mourinho levou os nerazzurri à vitória na Liga dos Campeões (2009-2010). E, após sair do Barcelona, os catalães conquistaram logo de seguida a Champions, pela mão de Pep Guardiola, em 2010-2011.

Esta coincidência motivou mesmo o nascimento da expressão "maldição de Zlatan", que foi quebrada anos mais tarde quando trocou o PSG pelo Manchester United. A existir uma tendência, os parisienses teriam conquistado a Liga dos Campeões em 2016-2017, o que não aconteceu.

Considerado um dos melhores jogadores que nunca conseguiu ganhar uma Liga dos Campeões, Zlatan foi para os EUA em março deste ano com números de respeito em competições da UEFA, onde se destacam os 124 jogos e 49 golos em jogos na Champions.

No total, fez 140 jogos em provas da UEFA, onde apontou 56 golos, o que o coloca no patamar de Eusébio, no 10.º lugar do ranking dos melhores goleadores de todos os tempos. Ainda sobre a Liga dos Campeões, é o jogador que mais jogos realizou sem nunca levantar a taça mais desejada pelos clubes europeus. Por outro lado, foi o único jogador a representar sete clubes diferentes na competição.

"Eu não quero ser um leão, eu sou um leão"

Zlatan Ibrahimovic anunciou no final da participação da seleção sueca no Euro 2016 que se retirava do futebol internacional. Melhor marcador de sempre do país escandinavo (62 golos em 116 jogos), esteve em cima da mesa a hipótese de regressar para o Mundial 2018, mas tal não aconteceu. O jogador culpou a comunicação social sueca pela ausência da equipa do país que escolheu representar, pois tem ascendência bósnia e croata.

"Eles dizem que a seleção é melhor sem mim e eu vou acreditar. É a típica mentalidade dos media suecos. Não tenho um nome comum, nem atitudes ou mentalidade típicas do país, mas mesmo assim tenho os recordes. É a maior festa do futebol e os melhores estão lá. Zlatan não está lá, devia estar, mas não está", disse em junho deste ano. Ibrahimovic foi também considerado 11 vezes o futebolista sueco do ano, com dez galardões a serem consecutivos, entre 2007 e 2016.

Falar na terceira pessoa não é algo que surpreenda em Ibrahimovic, que nunca se coibiu de dizer o que pensava e de se considerar um dos melhores do mundo. O jogador também parece saltar, de forma um pouco antagónica, entre a disciplina das artes marciais, as causas sociais e as polémicas fora e dentro de campo.

Ao longo dos anos foram vários os desentendimentos, que não poucas vezes resultaram em confrontos físicos com adversários e até colegas de equipa. E a forte e aberta personalidade até lhe valeu prémios mais incomuns: em 2015, o L'Équipe elegeu o sueco e Cristiano Ronaldo como os futebolistas "mais arrogantes" do mundo.

Os incidentes, as expulsões e os castigos ficam na memória, assim como as frases e opiniões que marcaram e continuam a marcar a atualidade.

Recorde algumas das mais marcantes de Ibrahimovic:

"Zlatan não faz audições. Ou me querem ou não me querem e se não me conhecem não me devem querer" - sobre ter rejeitado testes no Arsenal no ano 2000, quando estava ainda no Malmö.

"Sou um animal e sinto-me um leão. Não quero ser um leão, sou um leão. Um leão nasce um leão, o que quer dizer que sou um", definiu-se assim Zlatan numa ocasião.

"Eu e a minha mulher já tínhamos falado sobre isso e ela disse que gostava de saber como é viver em Los Angeles. Foi um dos motivos pelos quais escolhi a cidade. Los Angeles não me escolheu, eu escolhi Los Angeles", explicou Zlatan sobre a ida para os EUA.

"Guardiola começou a filosofar e eu mal ouvia. Porque haveria de o fazer? Era uma treta muito avançada sobre sangue, suor e lágrimas, esse tipo de coisas"; "Guardiola estava a olhar para mim e eu perdi a cabeça. Pensei 'aqui está o meu inimigo, a coçar a careca'. Gritei-lhe 'não tens tomates' e provavelmente coisas piores do que isso", afirmou acerca da relação com o seu técnico no Barcelona.

"Ele [José Mourinho] diz o que quer. Gosto dele. É como o líder de um exército. Mas ele preocupa-se também e mandava-me mensagens várias vezes quando eu estava no Inter, a perguntar como eu estava. É o oposto de Guardiaola. Se Mourinho traz luz a uma sala, Guardiola desce as cortinas. Mourinho acabou por se tornar um homem pelo qual eu basicamente seria capaz de morrer", escreveu Zlatan na sua autobiografia Eu Sou Zlatan Ibrahimovic, lançada em 2011, anos antes de os dois se reencontrarem em Manchester.

"Ainda não a conheci, mas quando conhecer vou namorar com ela", quando questionado sobre quem seria a mulher mais bonita do mundo.

"Só Deus sabe, e você está a falar com ele agora", disse certo dia, antes de um jogo entre a Suécia e Portugal.

"Venha até minha casa, traga a sua irmã e eu mostro-lhe se sou ou não gay", respondeu quando foi questionado sobre a sua orientação sexual.

"Se substituírem a Torre Eiffel por uma estátua minha, fico no Paris Saint-Germain", referiu a propósito da renovação de contrato com o clube parisiense.

"Messi, Iniesta e Xavi obedecem sempre sem protestar. São como meninos de coro. Eu não sou assim", disse durante a sua passagem pelo Barcelona.

"Se me tivesse dedicado ao taekwondo, seguramente teria ganho várias medalhas olímpicas."

"Ibrahimovic, qual é o presente ideal de aniversário para a sua mulher? Nada, ela já tem Zlatan", resposta no Dia dos Namorados.

"A minha mulher não me deixa ter fotos minhas em casa. Há apenas uma fotografia, dos meus pés. Os meus pés deram-nos o que nós temos, a fotografia serve para lembrar que foram eles que criaram toda esta situação."

Ler mais

Exclusivos

Premium

Daniel Deusdado

Começar pelas portagens no centro nas cidades

É fácil falar a favor dos "pobres", difícil é mudar os nossos hábitos. Os cidadãos das grandes cidades têm na mão ferramentas simples para mudar este sistema, mas não as usam. Vejamos a seguinte conta: cada euro que um português coloca num transporte público vale por dois. Esse euro diminui o astronómico défice das empresas de transporte público. Esse mesmo euro fica em Portugal e não vai direto para a Arábia Saudita, Rússia ou outro produtor de petróleo - quase todos eles cleptodemocracias.