Premium Os fantasmas da avenida

Comecei a acreditar em fantasmas quando me mudei para Lisboa, até esse momento só os tinha encontrado em livros e na televisão, agora vejo-os todos os dias e até já conversei com alguns.

Os meus fantasmas habitam a Avenida Almirante Reis, dormem em caixas de cartão ou embrulhados em cobertores sujos, alguns pedem, alguns bebem ou drogam-se, alguns recebem o rendimento social de inserção. Há fantasmas portugueses e estrangeiros, homens e mulheres, velhos e novos. Alguns tiraram licenciaturas e tinham casa e trabalho estável; foi a crise, foi o álcool, foi uma desgraça que aconteceu. Os fantasmas estão lá todos os dias e é preciso muito esforço para não acreditar neles - olhar para o lado, olhar para o chão, e, sobretudo, evitar a todo o custo fixar-lhes os olhos que parecem mesmo de gente como nós.

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