Gabriel comanda pontapé na crise e quebra enguiço na Luz

Cinco jogos depois, o Benfica volta a vencer em casa. A vítima foi o Boavista, por 3-1, naquele que foi o primeiro jogo de Nélson Veríssimo como treinador interino, após a saída de Bruno Lage.

O Benfica deu este sábado um pontapé na crise ao vencer o Boavista, no Estádio da Luz, por 3-1, rompendo com uma série de duas derrotas consecutivas e de cinco partidas consecutivas sem ganhar em casa. Foi uma boa estreia do treinador interino Nélson Veríssimo que esta semana assumiu o comando da equipa encarnada devido à saída de Bruno Lage.

É certo que o Benfica não deslumbrou, mas fez um jogo mais consistente do que os anteriores, mantendo todos os princípios de jogo que foram implementados pelo anterior treinador. O que mudou então? Foi mais uma questão psicológica, até porque até aos 13 minutos, os encarnados foram a imagem assustadora e desoladora que vinham apresentando desde a paragem por causa da pandemia. Nesse minuto, surgiu o golo de André Almeida, no primeiro ataque e remate da partida...

E até no onze, Nélson Veríssimo não fez grandes alterações. Regressaram Rúben Dias e Gabriel, que cumpriram castigo, e a novidade foi Seferovic no ataque (em vez de Carlos Vinícius) para dar mais profundidade ao jogo ofensivo da equipa, que teve Chiquinho nas suas costas. O Boavista também se apresentou com a sua forma de jogar habitual, com agressividade na luta pela posse da bola, mas com uma contrariedade ainda antes do início da partida, quando Lucas Tagliapietra sofreu uma lesão e foi rendido pelo peruano Gustavo Dulanto.

A entrada do Boavista no jogo foi muito forte, com uma pressão muito alta a criar muitos embaraços junto à defesa do Benfica, que não conseguia sair para o ataque e acumulava passes errados. E quando parecia que se ia assistir a mais uma noite de pesadelo para os benfiquistas, eis que surge um passe longo de Gabriel que Helton Leite intercetou, mas acabou por largar, sobrando a bola para André Almeida abrir o marcador. Este golo aos 13 minutos foi uma espécie de tranquilizante para uma equipa que estava sobre brasas...

Passes de Gabriel foram o tranquilizante da águia

A partir desse momento, o jogo foi completamente diferente. Os encarnados começaram a assentar o seu jogo, com Gabriel a subir de rendimento e a começar a comandar a equipa com os seus passes teleguiados. Na frente, as movimentações em diagonais de Chiquinho e o ataque de Seferovic à profundidade (imagem de marca de Bruno Lage) foram abrindo espaços na organização defensiva do Boavista, que sentiu bastante o golo sofrido.

É nesse momento que começa um duelo particular entre Helton Leite e Seferovic, com o guarda-redes brasileiro a brilhar por duas vezes perante o suíço e uma outra a remate de Chiquinho. Só que Gabriel voltou a fazer das suas com mais um passe teleguiado para Pizzi cabecear para o segundo golo, em cima do intervalo os papéis inverteram-se com Pizzi a oferecer a Gabriel a um remate forte de fora da área a fazer o terceiro golo.

O Benfica chegou ao intervalo a ganhar por 3-0, algo que tinha acontecido a 30 de novembro na receção ao Marítimo. Que melhor injeção de confiança podia ter o Benfica no momento tão conturbado por que passa?

O segundo tempo a toada do jogo manteve-se, com Helton Leite a brilha outra vez perante Pizzi e Seferovic. Contudo, os axadrezados acabariam por chegar ao golo, colocando mais uma vez a nu as fragilidades encarnadas na bola parada, quando Dulanto rematou de primeira no segundo poste, a livre de Carraça.

Até ao final da partida, o Benfica conseguiu controlar o jogo, sem sentir grandes dificuldades na sua organização defensiva, e só não conseguiu aumentar a vantagem porque Helton Leite voltou a brilhar a um remate em jeito de Chiquinho e porque Carlos Vinícius viu o VAR anular-lhe um cabeceamento certeiro por fora de jogo.

Em 2020, esta foi a primeira vez que o Benfica venceu um jogo por mais de um golo em casa... Falta agora saber se este triunfo terá continuidade ou se foi apenas o reflexo da chicotada psicológica motivada pela saída de Bruno Lage. A partida de de quinta-feira em Famalicão servirá para tirar dúvidas.

VEJA OS MELHORES MOMENTOS DA PARTIDA:

FICHA DO JOGO:

Estádio da Luz, em Lisboa
Árbitro: Fábio Veríssimo (Leiria)

Benfica - Vlachodimos; André Almeida, Rúben Dias, Jardel, Nuno Tavares; Pizzi (Jota, 90'+1), Weigl, Gabriel (Samaris, 79'), Franco Cervi (Rafa Silva, 72'); Chiquinho, Seferovic (Carlos Vinícius, 72')
Treinador: Bruno Lage

Boavista - Helton Leite; Carraça, Ricardo Costa, Gustavo Dulanto, Marlon Xavier; Obiora, Paulinho; Alberto Bueno (Yusupha Njié, 59'), Gustavo Sauer (Luís Santos, 86'), Fernando Cardozo (Mateus, 59'); Cassiano (Stojiljkovic, 73')
Treinador: Daniel Ramos

Cartão amarelo a Cassiano (41'), Obiora (62'), Nuno Tavares (63')

Golos: 1-0, André Almeida (13'); 2-0, Pizzi (31'); 3-0, Gabriel (42'); 3-1, Gustavo Dulanto (64')

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