Premium O que levar na mala para Pequim, em 2019?

A visita oficial do presidente Xi Jinping já é uma vitória para Portugal, seja no campo político e diplomático, seja no económico. Desde 2010 que Portugal não recebia um presidente da República Popular da China. Esta visita, que está a decorrer até hoje, quarta-feira, acontece em vésperas de serem celebrados os 40 anos desde que foram retomadas as relações diplomáticas entre os dois países.

Entre os muitos temas que Xi Jinping traz na agenda, destaco o ambicioso e estratégico projeto Uma Faixa, Uma Rota. Portugal vai aderir a essa iniciativa, que na prática é uma estratégia internacional de iniciativa chinesa com vista à construção de infraestruturas em corredores de logística comercial, com muita tecnologia, e que liga a Ásia à Europa.

Dentro dos dossiês económicos, o ministro adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, desafiou a China a fazer um investimento produtivo e ativo em Portugal, por exemplo na indústria automóvel e na área da mobilidade elétrica. Declarações proferidas na conferência "Road to China", promovida pelo Dinheiro Vivo com o DN, JN e TSF, um dia antes da chegada de Xi Jinping. Além destas áreas, é sabido que as autoridades portuguesas estão a tentar atrair investimento chinês para os portos portugueses, onde se destaca Sines, pela sua posição geoestratégica, mas também o porto de águas profundas de Santa Vitória, nos Açores. Na Grécia, a China já detém o porto de Pireu e, aqui mesmo ao lado, em Espanha, a chinesa Cosco já marca presença em portos como é o caso de Valência.

A China é um parceiro comercial importante para Portugal: é o décimo terceiro cliente e o sexto fornecedor. O ministro Siza Vieira referiu a intenção de fazer crescer as exportações para a China da moda portuguesa, mas também de bens de consumo e agroalimentares. Ao todo, os chineses já terão investido seis mil milhões de euros em Portugal, entre 2010 e 2017.

Sendo os temas económicos tão relevantes hoje e no futuro destas relações bilaterais, só é de estranhar não ter sido promovido um fórum empresarial institucional, como se realizou, por exemplo, por ocasião da visita do presidente de Angola. No caso da visita do presidente da China, o lado da economia oficial resumiu-se a protocolos assinados e a um almoço com o primeiro-ministro. Se há tanta economia em cima da mesa, o programa oficial soube a pouco nesta matéria.

Apesar deste peso económico da aliança entre Portugal e a China, os temas político-diplomáticos não devem, nem podem, ficar esquecidos. O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa já aceitou retribuir a visita, deslocando-se a Pequim em 2019, e comprometeu-se a levar os temas económicos e políticos na bagagem, sem esquecer as preocupações com o respeito pelos direitos humanos e as metas ambientais que estão na agenda de todos os chefes de Estado, com exceção (declarada) de Donald Trump, o presidente norte-americano. Até lá, espera-se uma solução para a OPA da CTG à EDP.

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Daniel Deusdado

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