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Manuais gratuitos. Novos negócios a nascer e pequenos livreiros a desaparecer

Se em 2012 havia cerca de 650 pequenas livrarias no país, a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros acredita que este número se situe atualmente abaixo dos 600. A Book in Loop, por outro lado, encontrou nas fragilidades dos novos tempos uma nova forma de negócio.

"Não sei se aguentamos muito mais." A vida de Alzira Simões e de José Augusto não tem contado dias fáceis. Marido e mulher, gerentes da Livraria Saturno, em Oliveira do Bairro, lamentam as baixas receitas do negócio desde que o Ministério da Educação anunciou a gratuitidade dos manuais escolares. Numa primeira fase, do 1.º ao 6.º ano de escolaridade. Neste ano, alargado até ao 12.º. É uma das livrarias aderentes ao programa de vouchers, onde as famílias podem levantar os seus livros. Compram os livros, entregam-nos aos pais e esperam reaver o dinheiro investido. Mas os atrasos no pagamento deste investimento (que chegam a demorar meses) e agora o alargamento dos anos abrangidos pelo acesso gratuito a livros colocam desafios mais profundos ao pequeno comércio. Por outro lado, há quem tenha encontrado uma forma de lucrar com a medida.

A notícia sobre a implementação de manuais gratuitos ao ensino público pode ter chegado como uma boa-nova para as famílias, mas não para estes livreiros. Já em 2017, um ano depois de a medida ter entrado em vigor, José Augusto avizinhava tempos ainda mais difíceis para o negócio.

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