Fim dos vistos gold apressa compra de imóveis em Lisboa

Em 2019, estrangeiros de 92 nacionalidades deram forte impulso ao mercado imobiliário da capital e investimento de chineses e brasileiros aumentou 30%.

O sinal de que o fim dos vistos gold estava próximo parece ter impulsionado o mercado residencial de Lisboa. Chineses e brasileiros, duas das 92 nacionalidades que, no ano passado, adquiriram casas na capital, apressaram-se a fechar negócios. Segundo dados da Confidencial Imobiliário (CI), 57% do investimento proveniente da China foi concretizado no segundo semestre de 2019. O mesmo sucedeu com o Brasil, com 58% do volume de compras a ser efetuado no mesmo período.

O capital investido oriundo destes dois países aumentou 30% em relação a 2018, fortalecendo as suas posições enquanto motores dos vistos gold. Para Ricardo Guimarães, diretor da CI, é provável que os investidores "ao perspetivarem que há uma porta a fechar-se e tenham um conjunto de negócios em perspetiva decidam realizá-los".

A China passou assim a liderar o ranking do investimento estrangeiro de carácter residencial na área de reabilitação urbana (ARU) de Lisboa, com uma quota de 16,7% em volume e 20,9% em número de operações. A França caiu para segundo lugar, com o investimento na capital a manter-se estável face a 2018: 15,9% em volume e 15,3% em transações. O Brasil é o terceiro país mais comprador, com uma quota de 9,7% no investimento e 6,1% em número de casas. São também os brasileiros quem mais investe por aquisição - 725 mil euros. Reino Unido e Estados Unidos completam o top 5 dos maiores investidores.

No total do ano, o investimento estrangeiro em habitação atingiu os 744,3 milhões de euros, um crescimento de 7% (ou 50 milhões) face a 2018. Estes novos proprietários adquiriram cerca de 1630 casas, sensivelmente o mesmo número que no ano transato, mas com um preço médio superior em 32 mil euros, o que traduz um dispêndio da ordem dos 457 mil euros por casa. O número de nacionalidades a investir no país aumentou de 80 para 92, com a África do Sul, o Vietname, a Turquia e a Alemanha, esta última a quase duplicar o investimento, a destacar-se pelo dinamismo aquisitivo.

Mercado abranda

A ARU de Lisboa registou ainda assim uma quebra no negócio imobiliário. No ano passado, o investimento total atingiu os 2,11 mil milhões de euros, uma quebra de 12% em relação a 2018, mas um volume mais elevado do que em 2016 e 2017. Segundo apurou a CI, foram vendidos no total 5958 imóveis residenciais, o que representa uma descida de 17%. Para esta performance contribuiu a quebra da procura nacional. Segundo Ricardo Guimarães, "os anúncios fiscais e legislativos trouxeram um sentimento de alguma insegurança ao investimento", a que se juntam "uma margem de ganho mais estreita e a perceção de um risco maior". Os investidores nacionais aplicaram 1,36 mil milhões na capital no ano passado (menos 19%), adquirindo 4327 imóveis (menos 22%).

Jornalista do Dinheiro Vivo

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