Premium Quartos e jardins: como vão mudar as prisões portuguesas

Sobrelotadas, pensadas há quase um século, meros depósitos de gente ali esquecida - até que sai cá para fora. Assim é a maioria das prisões. Há um projeto para as mudar, com um novo paradigma: que, como nas nórdicas, a privação de liberdade seja a única punição. Será que é desta?

A carta tem remetente do estabelecimento prisional de Castelo Branco. O signatário, de 32 anos, diz ter sido condenado, em primeira instância e apesar de primário - ou seja, sem condenações anteriores --, a seis anos e meio por tráfico de canábis. Está preso há dois anos e seis meses, ou seja, a nove meses da metade da pena, mas, por aguardar resultado do recurso, tem ainda, queixa-se, estatuto de preventivo. Como tal, explica, não tem direito a saídas precárias ou plano de reinserção nem possibilidade de liberdade condicional: está num limbo.

São três páginas A4 manuscritas dos dois lados a esferográfica azul, bem redigidas e plenas de humor, malgrado a amargura. Apesar da extensão, não falam das condições físicas da prisão; fica-se sem saber até se o autor está numa cela só para ele ou a partilha com alguém, e caso a partilhe com que tipo de reclusos está.

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