Galp envia faturas antigas e ameaça cobrar por atrasos

Empresa diz que já não há atrasos nas faturas. Pagar a conta depois do prazo vai custar dois euros, no mínimo.

Depois de em abril de 2018 ter garantido que seriam "totalmente" eliminados os atrasos na faturação que afetavam os clientes de gás e eletricidade, cinco meses depois - em setembro -, a Galp continuava ainda a enviar contas para pagar com períodos de faturação a abranger quase um ano de consumo energético.

O alerta foi dado ao DN/Dinheiro Vivo por clientes da empresa: num dos casos, o valor da fatura de luz e gás supera os 320 euros, uma dívida acumulada ao longo de dez meses, entre novembro de 2017 e setembro.

Fonte oficial da empresa garante, no entanto, que "as situações de atraso na faturação que resultaram da migração para a nova plataforma encontram-se totalmente normalizadas", frisando o cumprimento dos "valores padrão definidos pelo regulador" quanto ao número de reclamações, tempos de atendimento e de resposta.

Em abril, a Galp dava conta de que os atrasos na faturação estavam circunscritos a 0,01% dos clientes, ou seja, 350 famílias, garantindo que estava a propor "medidas concretas de apoio, incluindo planos de pagamento faseados", disse na altura fonte oficial.

A Deco, que chegou mesmo a ponderar emitir um alerta sobre a situação prolongada de atrasos de vários meses no envio das faturas da Galp, atesta agora que "o sistema de faturação está operacional". "O grande boom do número de reclamações aconteceu até março de 2018. No entanto, pode existir ainda uma ou outra situação em que os clientes estejam a receber uma fatura com acertos desde setembro, outubro ou novembro do ano passado", explicou Ana Sofia Ferreira, coordenadora do Gabinete de Apoio ao Consumidor da Deco, sublinhando que cabe ao consumidor rejeitar o pagamento de consumos com mais de seis meses, evocando a sua prescrição.

Já sobre a recente decisão da Galp de começar a cobrar, desde 1 de outubro, dois euros de valor mínimo de multa em casos de atrasos superiores a 21 dias no pagamento das faturas, a Deco diz que é legal e que o valor é proporcional face à média do custo do serviço prestado.

No entanto, a associação de defesa do consumidor vai investigar a forma como a Galp comunicou aos clientes esta alteração aos contratos: por sms ou e-mail, alegadamente de forma pouco clara (em simultâneo com o regulamento de proteção de dados) e sem respeitar a antecedência mínima de 15 dias. "O valor de dois euros foi calculado com base nos custos de processamento administrativo originados nos casos em que haja atrasos no pagamento das faturas. Esta é uma prática habitual num conjunto de mercados", justifica a Galp.

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