Campeão Lewis Hamilton superou Fangio e corre para bater marcas de Schumacher

Piloto britânico da Mercedes conquistou neste domingo o seu sexto título mundial, com um segundo lugar no Grande Prémio dos Estados Unidos.

Lewis Hamilton, de 34 anos, sagrou-se neste domingo hexacampeão mundial de Fórmula 1 e superou o número de títulos mundiais de Juan Manuel Fangio - tem agora apenas Michael Schumacher (sete) à sua frente. O piloto da Mercedes, que começou a correr na Fórmula 1 em 2007, já entrou para a galeria de notáveis da modalidade rainha do automobilismo e nos próximos anos pode continuar a bater marcas históricas de Schumacher e Ayrton Senna.

Neste domingo, no Grande Prémio dos Estados Unidos, bastava ao piloto da Mercedes um oitavo lugar para garantir o seu sexto título de campeão do mundo. Ficou em segundo lugar, atrás do companheiro de equipa, Valtteri Bottas - a segunda vitória do finlandês em três corridas.

"Quando eu tinha seis ou sete anos, o meu pai disse-me 'nunca desistas' e isso transformou-se numa espécie de lema de família", revelou Hamilton já no final do Grande Prémio das Américas, no qual o segundo lugar lhe garantiu o sexto título mundial (2008, 2014, 2015, 2017, 2018 e 2019), a duas provas do fim do campeonato.

Com seis títulos conquistados aos 34 anos, Hamilton já só pensa no próximo. "Enquanto atleta, sinto-me jovem. Estou pronto para a próxima corrida", avisou.

A manutenção das regras para o ano que vem podem ajudar Lewis Hamilton a chegar ao sétimo título mundial, até porque a Mercedes já trabalha em cima do sucessor do W10. E com um calendário cada vez mais amplo, com 22 corridas a partir do ano que vem, as oportunidades são ainda maiores para que os números do piloto britânico ganhem contornos ainda mais impressionantes.

Os recordes por bater

Hamilton tem vindo aos poucos a superar recordes na Fórmula 1 e a bater marcas que pertenciam a Michael Schumacher e a Ayrton Senna. A mais importante é, claro, igualar ou ultrapassar os sete títulos mundiais do ex-piloto alemão. Mas há outros recordes em mira que o britânico pode roubar a Schumacher.

Número de vitórias:
Michael Schumacher - 91 (308 corridas)
Lewis Hamilton - 83 (247 corridas)

Voltas mais rápidas:
Michael Schumacher - 77 (308 corridas)
Lewis Hamilton - 46 (247 corridas)

Maior número de hat-tricks (pole, melhor volta e vitória na mesma corrida):
Michael Schumacher - 22
Lewis Hamilton - 14

Número de pódios:
Michael Schumacher - 155 (308 corridas)
Lewis Hamilton - 150 (248 corridas)

Número de vitórias no mesmo Grande Prémio:
Michael Schumacher - 8 na França
Lewis Hamilton - 7 no Canadá.

Vitórias na mesma equipa
Michael Schumacher - 72 (Ferrari)
Lewis Hamilton 59 (Mercedes)

Pódios consecutivos:
Michael Schumacher - 19
Lewis Hamilton - 17

O predestinado de Stevenage, que começou nos karts

Natural de Stevenage, cidade inglesa onde nasceu a 7 de janeiro de 1985, Hamilton cresceu num bairro social e hoje é um dos dez britânicos campeões mundiais da elite do automobilismo. Grande parte da sua carreira deve-se ao sonho do pai de ter um filho piloto - deu-lhe um kart logo aos 6 anos. "O meu pai tinha quatro empregos para me manter a correr", confessou numa entrevista, admitindo que "muitas vezes" pensaram que ele não ia conseguir.

Antes de chegar à Fórmula 1, Lewis Carl Davidson Hamilton iniciou-se em competição nos karts, com apenas 8 anos, em 1993. Dois anos depois, já era campeão britânico. Por essa altura, cruzou-se com Ron Dennis, o patrão da McLaren, a quem pediu um autógrafo e se atreveu a dizer que, "um dia", queria conduzir os carros dele.

"Telefona-me dentro de nove anos. Veremos algo então", disse-lhe Ron Dennis, depois de assinar o papel do pequeno mas veloz Lewis. Não seria preciso esperar tanto. Três anos depois, uma conversa telefónica com o patrão da McLaren precipitou a contratação precoce do piloto para o programa juvenil da McLaren-Mercedes quando tinha apenas 13 anos. Seguiu-se a estreia na Fórmula Renault, na Fórmula 3 Euroseries e na GP2 Series, antes de chegar à categoria rainha.

A estreia na Fórmula 1 do fã de Ayrton Senna aconteceu em 2007, para fazer equipa na McLaren com o então bicampeão em título, o espanhol Fernando Alonso. O impacto de Hamilton foi imediato e por pouco não se sagrou logo campeão mundial na estreia. Um problema mecânico na última corrida travou-lhe o sonho, mas não impediu o britânico de deixar a sua marca. Ainda hoje é o piloto que mais pontos somou em época de estreia (109) e o que mais vitórias alcançou (quatro) no seu primeiro ano no grande circo - recorde que partilha com o canadiano Jacques Villeneuve -, sendo ainda o mais jovem líder do Mundial, com 22 anos e 126 dias.

O primeiro título chegou no ano seguinte e de novo num final dramático no Brasil. Venceu com mais um ponto do que o brasileiro Felipe Massa (Ferrari), após uma decisiva ultrapassagem a Timo Glock, para ser quinto. Seguiram-se quatro difíceis anos de seca, a que não foram alheios alguns problemas fora das pistas, como o rompimento das relações profissionais com o pai, Anthony Hamilton, e desentendimentos com a sua namorada da altura.

Mas Hamilton preferiu culpar o carro e por isso decidiu rumar à Mercedes. O ano de estreia não foi fácil - apenas um triunfo, na Hungria - e viu Vettel (Red Bull) selar o tetra. Depois, em 2016, com a ajuda dos motores V6 híbridos, o britânico voltou a festejar, após uma renhida luta com o seu companheiro de equipa, o alemão Nico Rosberg, do qual só se desembaraçou na última corrida.

Em 2015, Hamilton voltou a impor-se a Rosberg - que em 2016 chegou ao título e abandonou a Fórmula 1 - e dominou a edição de 2017, apesar da maior réplica da Ferrari de Vettel, e de 2018, ano em que chegou ao título no México com três provas ainda por disputar.

Amigo das crianças e do meio ambiente

À medida que foi crescendo com o sucesso, o piloto foi-se revelando mais preocupado com o que o rodeia, principalmente com o meio ambiente e o futuro das crianças. "Este desporto criou uma grande base para fazer outras coisas. Sempre quis ter um impacto positivo. Se quero ser lembrado por alguma coisa, será por ajudar crianças com dificuldades em ir à escola. Seja construindo uma escola, incentivando a educação, ajudando pessoas. Não quero que o meu tempo na terra não signifique nada. Tenho a certeza de que vocês todos se sentem assim", garantiu Hamilton, após a vitória no México em 2018.

As preocupações de Hamilton não são apenas sociais. O piloto tem igualmente nos últimos anos mostrado a sua preocupação com o ambiente. "Quero neutralizar as minhas emissões de carbono no fim do ano. Não permito que ninguém no escritório compre coisas de plástico, por exemplo. Vendi o meu avião há alguns anos. Agora tenho um carro elétrico e vendi alguns dos meus carros. Alguns não quero vender porque gosto deles. Tento voar menos também. Estou sempre a fazer mudanças", confessou o britânico.

O piloto adotou ainda uma dieta vegana e deu origem a uma controvérsia, com vários pilotos, como Fernando Alonso, a apontarem-lhe incompatibilidades entre a defesa de uma vida sustentável e a Fórmula 1. Já Sebastian Vettel saiu em defesa do britânico e admitiu que "a F1 deve fazer mais" pelo meio ambiente. Romain Grosjean, por sua vez, entendeu que simplesmente não é saudável para um atleta de alto nível ser vegetariano.

Segredos do sucesso: preparação, confiança, comunicação e rotinas

No ano passado, antes do GP do Brasil, Hamilton revelou alguns segredos do seu sucesso. A começar pela preparação. "Na Fórmula 1, a estratégia da competição começa a ser decidida assim que a prova anterior termina. Condições meteorológicas, número de paragens para troca de pneus, modelos de pneus utilizados,q uantidade e consumo de combustível, tudo é planeado. Há muito trabalho para fazer antes da largada", contou Hamilton.

A autoconfiança também tem o seu papel. Conhecido por um estilo agressivo de pilotar, o que lhe rende algumas críticas e até alguns acidentes, confessou entrar sempre para uma corrida "confiante" de que chegará em primeiro lugar. Segundo o piloto, também é "fundamental ter uma boa comunicação". A equipa da Mercedes tem mais de 700 funcionários e cerca de cem convivem diariamente com Hamilton : "Cada um tem de estar na sua melhor forma para que tudo funcione."

Lewis Hamilton segue com rigor a rotina dos atletas de alta competição. Deita-se cedo, dorme pelo menos oito horas por dia, e treina de quatro a seis horas diariamente, "até no dia de Natal". Só tira uma semana de férias por ano. A preparação física inclui remo, natação e corrida, mas também basquetebol e boxe para descontrair. Alimenta-se bem e hidrata-se constantemente.

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