Como eles conquistaram 20 mil votos e fizeram os projetos do ano

Neste ano, venceram os orçamentos regional, nacional e jovem, com um número de votos que é de 58 vezes a população da aldeia.

Os diretores das escolas do distrito de Aveiro são dos mais entusiastas na promoção de Vale Domingos e das suas propostas de requalificação, que acabam por traduzir-se em medidas de integração. O que faz que os mentores dos projetos tenham carta-branca para pedir aos alunos votos para os projetos que candidatam aos orçamentos participativos.

André Henriques, 14 anos, aluno do 9. º ano, na Escola Secundária Marquês de Castilho, é o braço direito de Ricardo Pereira, na angariação de votos junto dos mais novos. É o que está a acontecer com o projeto Desporto para Todos, a concorrer no âmbito do Orçamento Participativo Jovem (OP Jovem), em que vota quem tem entre os 14 e os 30 anos. O objetivo é ganhar cem mil euros para abrir um espaço para atividades desportivas, o que falta na aldeia.

André e Ricardo entram nas salas e explicam como se deve votar. Como o fizeram com uma turma do 10. º ano da Marquês de Castilho. Rosário Gomes, a professora de Matemática, entrega aos alunos os telemóveis que ficam na secretária no início de cada aula. Ricardo explica ao que vem. "Mais uma vez, passámos à final de um concurso OP Jovem, uma iniciativa que é inédita no mundo, mas o governo português entendeu que os jovens devem poder fazer as suas escolhas."

Apresenta o projeto de Vale Domingos. Entre outros equipamentos desportivos, pretendem comprar material de ginásio, mesas de pingue-pongue e de matraquilhos, tapetes para ginástica e artes marciais. Devem enviar uma mensagem, que é gratuita, para o 4310, escrevendo 122 com o número do Cartão de Cidadão. Vota quem tem telemóvel, quem não tem promete fazê-lo em casa.

Os orçamentos participativos dão à população a possibilidade de escolher ideias a apoiar com verbas públicas. E que são geridas por entidades externas aos vencedores.

Aquele tipo de explicação acontece em escolas, mas também em cafés, associações e outros locais de convívio. Tudo para conseguir o maior número de votos, assim se ganha um Orçamento Participativo (OP). É um processo através do qual a população escolhe as propostas que merecem os dinheiros públicos (um total de cinco milhões de euros em 2018). Candidaturas são apresentadas em nome da população.

Existem quatro categorias de OP: municipal, regional, nacional e jovem. Portugal é o único pais onde existem um OP a nível nacional e jovem, introduzidos no ano passado. O dinheiro não é entregue aos autores da ideia, mas a uma entidade pública com competência na matéria. Por exemplo, as verbas para o Parque Botânico de Vale Domingos têm sido geridas pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, sendo o OP Jovem Aldeia Didática e Divertida o que obteve maior investimento, 300 mil euros. Para a Feira das Lambarices, três dias em 2019, o governo ainda terá de indicar qual será o organismo.

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