Premium Os outros que paguem a crise e um presente para o PS

Há uma classe profissional que tem um estatuto especial, uma espécie de casta com direitos superiores ao resto da maralha.

Os professores acham que devem ser a única classe profissional que não sofreu com a crise que todos atravessamos e pagamos. Querem lá eles saber que os pensionistas tivessem as suas reformas cortadas, que parte importante dos outros funcionários públicos vissem os seus salários reduzidos, que centenas de milhares de trabalhadores do setor privado perdessem o emprego - e quando o recuperaram foi por salários mais baixos e com vínculos mais precários -, que outras tantas centenas de milhares fossem corridos do país por não serem capazes de encontrar trabalho. Que se amanhem, dirão em voz não muito baixa os professores. E, claro, o que conta é o tempo decorrido, tenham sido bons ou maus profissionais, já se sabe que esta classe, a quem compete avaliar, não admite ser avaliada.

O PSD, o CDS, o BE e o PCP concordam com os professores. Estes quatro partidos olharam para os seus eleitores e para a comunidade em geral e chegaram à conclusão de que, sim senhor, há uma classe profissional que tem um estatuto especial, uma espécie de casta com direitos superiores ao resto da maralha. Gostava de saber como vão explicar isto aos cidadãos. Mas estes partidos terão de dizer ao reformado que viu a sua pensão cortada e que tem um filho que teve de emigrar, que o professor que vive ao lado, e que não tem de se preocupar com o desemprego, vai receber o que ele nunca recuperará e que o que o seu filho perdeu nunca poderá ser devolvido.

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