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Apadrinhamento Civil

Tiago entrou numa instituição aos 5 anos, mas hoje pode ter duas famílias

Ana Gama e Francisco Caldeira conheceram Tiago numa instituição. Tinha 7 anos, começou por ir passar os fins de semana, as férias e há um ano que vive em casa da família. Passaram a ter quatro crianças, dos 13 aos 8 anos. Tiago, continua ligado à mãe biológica. Ana e Francisco querem ser padrinhos civis.

Aos 5 anos entrou numa instituição. Depois de ele próprio ter chamado o 112 para socorrer a mãe de uma situação de saúde grave. Tinha pai, irmãos e avós mas não chegaram para cuidar dele durante o longo tempo de internamento da mãe. Teve de ser retirado à família e encaminhado para uma casa de acolhimento no Estoril. Foi aí que conheceu Ana Gama e Francisco Caldeira e os filhos, Gonçalo, Vasco e Duarte. A família com quem poderá viver, sem nunca deixar a ligação que tem à mãe. "Ele fica feliz quando a vê, sente-se pacificado. Sabe que ainda está lá", contam ao DN Ana e Francisco, que há três anos, quando começaram a recebê-lo em sua casa para fins de semana e férias, não imaginavam que poderiam chegar à situação de apadrinhamento civil - o regime jurídico criado em 2009 para tirar mais crianças das instituições, mas que tem sido ignorado por técnicos, instituições e magistrados. "Há um grande desconhecimento sobre esta providência e o impacto que pode ter", confirmou ao DN Isabel Pastor, diretora da Unidade de Adoção, Acolhimento Familiar e Apadrinhamento Civil da Santa Casa.

A Lei n.º 103 de 11 de setembro de 2009 foi criada a pensar que poderia prevenir e combater a institucionalização, mas gerou resistências logo à partida, porque "foi entendida como um atalho para o encaminhamento para a adoção, quando não é. É para as crianças que nunca terão uma medida de adotabilidade", sublinhou Isabel Pastor. E como nem todas as crianças vivem da adoção, esta foi a hipótese que os técnicos da instituição onde Tiago estava propuseram a Ana e a Francisco, ao fim de três anos de relacionamento e de integração familiar, e já depois de lhes ter sido entregue no regime de confiança a pessoa idónea e de estar a viver com eles há um ano.

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Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.