32 graus em Berlim. 24 em Lisboa. Que verão é este?

Nuvens, humidade e aguaceiros na Europa do Sul, sol e calor seco na Europa central e do Norte. Em pleno verão, com muitos portugueses a fazerem férias cá dentro, é este o cenário. Anómalo, é certo, mas recorrente, explicam meteorologistas

Patrícia Viegas
Imagem de uma praia na Costa da Caparica© Reinaldo Rodrigues - Global Imagens

Uma busca rápida no Google diz-nos que hoje, quarta-feira, segundo as previsões do serviço do Weather.com, vão estar 32 graus de máxima em Berlim, capital da Alemanha, com céu limpo. Em Lisboa, deverão estar 24 graus de máxima com registo de aguaceiros. O IPMA, por seu lado, prevê 24 graus de máxima, com aguaceiros, para a capital portuguesa. A probabilidade de precipitação, segundo o site do instituto, é de 57%.

Na Europa central e do Norte, segundo a meteorologista Eleanor Bell, citada pelo site do Weather.com, "tem havido calor anormal nestas regiões nas últimas 11 semanas e as temperaturas bem acima do normal são esperadas pelo menos para as próximas semanas". O mesmo não tem acontecido em Portugal, onde as temperaturas têm estado relativamente baixas para a altura do ano, com chuva.

"O anticiclone de comando da circulação atmosférica do Atlântico Norte, designado anticiclone dos Açores, que em vez de estar na sua posição típica de verão, mais ou menos estacionária, durante três meses com pequenas oscilações, encontra-se bastante mais a Norte. Atingindo as ilhas britânicas, o norte de França, a Alemanha do Norte, onde faz sentir a sua influência, com o calor extremo, de que eles se queixam. Há uma situação mais anómala a norte, que permite que o flanco sul, nas latitudes da Península Ibérica, se desenvolvam núcleos depressionários e depressões de transporte de ar para a Península Ibérica, trazendo nebulosidade, temperaturas anomalamente baixas, para esta época do ano", declarou esta terça-feira ao DN meteorologista Manuel Costa Alves.

A situação não é, porém, invulgar, mas sim recorrente, explica o mesmo especialista. "É uma situação que ocorre de cinco em cinco, seis em seis, sete em sete anos. É recorrente, não tem um ciclo definido, mas tem acontecido recorrentemente este verão húmido", afirma, sublinhando que "ainda estão a ser investigados todos os mecanismos que fazem com que, de x em x anos, aconteçam situações anómalas como esta".

Numa altura em que muitos portugueses, com férias marcadas cá dentro, se queixam do tempo, Manuel Costa Alves confessa que, pessoalmente, até prefere assim. "Está toda a gente a protestar. Mas eu estou do outro lado", refere, entre risos, lembrando: "Não queiram ter os verões que temos tido nos últimos anos, como o de 2016 ou o de 2017".