Premium Delicadamente pra ti, Fausto


Neste fim de semana assisti ao concerto de Fausto Bordalo Dias na Casa da Música e dei por mim a fazer parte de uma celebração que em muito ultrapassou a sua dimensão musical. Um observador imparcial talvez falasse do som, de algumas falhas na voz, das sílabas que por vezes se embrulharam... Mas arrisco-me a dizer que não havia um único espectador imparcial naquela sala. Mais do que um concerto, tratou-se de uma ação de graças, uma ocasião única para retribuirmos com aplausos todas as palavras e melodias que Fausto nos ofereceu ao longo da carreira.

Qualquer um dos álbuns, por si só, seria uma obra-prima, mas Fausto teve o descaramento e a arte de incluir neles a trilogia Lusitana Diáspora, um conjunto monumental que nos convidou a refletir sobre o lado negro e ridículo das narrativas heroicas (muito avant la lettre, diga-se).
Por tudo isto, apetece-me devolver a Fausto uma das suas letras numa honesta declaração de amor:

Por tudo aquilo que eu vi, delicadamente pra ti
Dedico esta canção de amor com cheirinhos a mil flores
E se acaso restam compassos muitos beijos e abraços.

Escritor

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