Premium Exposições em Portugal e pelo Mundo para ir este verão

Está de férias? De Frida Khalo a heróis da Disney em areia, há muitas e variadas propostas para tornar os dias ainda mais bonitos. Um roteiro estival.

E que tal começar com Picasso? Está na Tate Modern, em Londres, até 9 de setembro a exposição Picasso 1932 - Love, Fame, Tragedy com uma centena de obras do artista numa fase crucial da sua carreira. Na Tate Britain, um olhar sobre a arte na ressaca da I Guerra Mundial. Obras de Ernst, Braque e Picasso, entre outros, nos 100 anos do fim do conflito que deixou marcas profundas. Aftermath: Art in the Wake of World War One fica até 23 de setembro.

Ainda na capital britânica, o museu Victoria and Albert apresenta uma exposição inédita, com objetos pessoais de Frida Kahlo nos 50 anos da sua morte. Até 4 de novembro, Frida Kahlo: Making Her Self Up propõe o conhecimento da vida e obra da artista mexicana através de peças, muitas delas nunca tinham sido mostradas fora do seu país natal. Entre os objetos em exibição, estão vestidos, alguns auto-retratos e a prótese da perna da artista.

Também em Budapeste, na Hungria, Frida Kahlo é evocada em Masterpieces from the Museo Dolores Olmedo of Mexico City, patente até 4 de novembro na Galeria Nacional. Se for a 20 de agosto, aproveite para ficar para o festival anual de fogo-de-artifício. E se for até 12, aproveite para ver também Manifesto (2015), o filme-instalação de Julian Rosefeldt, com Cate Blanchett.

Em Paris, oportunidade para visitar uma recriação do estúdio de Montparnasse do escultor suíço Alberto Giacometti. Até 16 de setembro, na Fundação Giacometti. A iniciativa marca a abertura do Giacometti Institute. É necessário reservar online.

Em Moscovo, na Rússia, mostram-se os clássicos da pop art, de Warhol a Lichtenstein, no Garnet Courtyard da Nikitsky Gate. A mesma iconografia pode ser vista mais a sul do continente, em Málaga, no Museu Picasso, até 16 de setembro. Warhol. Mechanical Art apresenta-se no palácio do século XVI alvo de uma premiada intervenção contemporânea. E se estiver por lá, não perderá a coleção dedicada ao artista espanhol nascido naquela cidade, com várias obras do pintor e escultor, onde se destaca a famosa Cabeça de Touro, escultura de 1942, ou o óleo Restaurante (1914), que ali se mostra pela primeira vez ao público.

Também em Espanha, mas em Madrid, outra estreia, desta feita no museu Thyssen-Bornemisza. Monet/Boudin é uma exposição monográfica que apresenta a relação entre o famoso pintor impressionista Claude Monet (1840-1926) e o seu mestre, Eugène Boudin (1824-1898). Ainda para ver a exposição dedicada a Modigliani em Milão, às Belezas Clássicas, no Hermitage, em Amesterdão (fica até 13 de janeiro) ou à Antiga Grécia, no Caixaforum, em Saragoça, Espanha.

Com crianças

A primeira sugestão é bem perto da fronteira portuguesa, em Burgos. O Museu da Evolução Humana apresenta a caminhada do Homem, sustentada nas descobertas da vizinha serra de Atapuerca, onde foi encontrado o Homo Antecessor, com 850 mil anos. Há várias atividades para os mais novos.

Em Londres, o inevitável Museu de História Natural tem, para além da exposição permanente, um imenso borboletário de Sensational Butterflies. Até 16 de setembro. Em Milão, há modelos de Leonardo da Vinci para conhecer no Museu Nacional da Ciência e Tecnologia. Até 13 de outubro de 2019, a exposição Leonardo Da Vinci Parade mostra alguns importantes trabalhos do génio renascentista, que viveu 18 anos na cidade. Ainda desafios interessantes, na exposição Europe and the Sea, sobre a importância do mar no desenvolvimento da Europa. A mostra fica até janeiro de 2019 em Berlim, no Museu de História, e apresenta uma visão histórica, que culmina nos dias de hoje, com os refugiados.

Em Bruxelas, a proposta é viver o mundo dos Smurfes (ou Estrumpfes), na The Smurf Experience. Também na Bélgica, mas na praia, em Ostende, há heróis da Disney feitos em areia. As esculturas podem ser vistas até 1 de outubro no Disney Sand Magic, que decorre em pleno areal.

Para fãs

Voltamos a Londres. Desta feita ao Business Design Centre que, até 20 de agosto recebe a exposição #SpiceupLondon, sobre as Spice Girls. Mas também à National Portrait Gallery que apresenta Michael Jackson: The Wall, assinalando o 60º aniversário do músico, que se assinala a 29 de agosto. Obras de vários autores sobre o ícone da música, falecido em 2009.

Desenhos, roupas, fotografias e até o carro de Kurt Cobain estão, até ao final de setembro expostos no Museum of Style Icons, em Newbridge, na Irlanda. As raízes irlandesas do líder dos Nirvana estão em destaque.

Fãs da velocidade têm uma proposta em Florença: conhecer a história do automóvel através da coleção de fotografias do arquivo Locchi. A exposição The Elegance of Speed apresenta-se nas salas do palácio Pitti. Para ver as mais bonitas corridas de estrada na Toscânia, todo o charme feminino e masculino na moda italiana dos anos 30 a 60 do século passado.

E fãs de Robert Capa: o CaixaForum, em Saragoça, Espanha, apresenta fotos a cores do húngaro da agência Magnum, que cobriu alguns dos principais conflitos mundiais do século XX.

Contemporâneos

No Mucen - Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo, em Marselha, França, está a retrospetiva dedicada ao artista dissidente chinês Ai Weiwei. Em Bilbau, Espanha, está a exposição individual da artista plástica portuguesa Joana Vasconcelos com I'm your Mirror. O Museu Guggenheim acolhe, até 11 de novembro, 30 obras da artista, 14 das quais inéditas.

O cineasta alemão Wim Wenders está em destaque na galeria CO, em Berlim. A exposição chama-se Instant Stories, tem audioguia feito pelo próprio Wim Wenders, e apresenta 240 polaroids da sua autoria. Com elas, os bastidores de muitos dos seus filmes. Até 23 de setembro.

Efémeras

O pavilhão da Serpentine Gallery, nos jardins de Kensington, em Londres, este verão é da autoria da arquiteta mexicana Frida Escobedo. Bem perto, em Hyde Park, está The London Mastaba, a escultura flutuante do artista búlgaro Christo.

Em Vejle, na Dinamarca, a Ville Savoye, do arquiteto Le Corbusier, afoga-se parcialmente nas águas. Trata-se de uma instalação, à escala real, de Havsteen-Mikkelsen, que assim contesta a atualidade: «Para mim, a Ville Savoye é um símbolo da Modernidade. (...) O projeto é um comentário crítico ao atual estado da modernidade, depois dos escândalos do Cambridge Analytica, a eleição de Trump e o Brexit», referiu o artista dinamarquês.

Nos Alpes Suíços, no meio do lago Lioson, está Matilha de Lobos. A obra dos artistas Lara e Olivier Estoppey é uma das que integram esta galeria de arte ao ar livre que anima aquela região durante os meses de verão no festival Ailyos Art Nature.

E em Portugal

Na Fundação Gulbenkian, Pós-Pop. Fora do Lugar Comum Desvios da «Pop» em Portugal e Inglaterra, 1965-1975. Até 10 de setembro, 215 obras de 42 artistas, metade da Coleção Moderna do Museu Gulbenkian.

No Porto, os jardins de Serralves recebem as obras de Anish Kapoor e, à noite, Há Luz no Parque, com intervenção do artista português João Paulo Feliciano. Dentro de portas, destaque para Coleção Sonnabend: Meio Século de Arte Europeia e Americana. Part II (até 23 de setembro).

Ainda a norte, em Matosinhos, a primeira exposição da Casa da Arquitetura dedicada aos Universalistas despede-se a 7 de setembro.

No MAAT (Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia), em Lisboa, mostra-se Germinal, a coleção de arte de Pedro Cabrita Reis, que integra a Coleção de Arte Fundação EDP desde 2015.

Mesmo a terminar, o retrato português, no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa: Do Tirar pollo Natural. Inquérito ao retrato português - que inaugura no MNAA a 28 de Junho e vai até 30 de Setembro, e em 2019 terá réplica com um panorama dos retratos de portugueses feitos por estrangeiros - merece toda a nossa atenção.

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João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

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Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.