Alojamento local recebeu 13 milhões de turistas em 2017

Número é avançado pela associação do setor, que hospedou perto de um terço das pessoas que visitaram Portugal.

Mais de 13 milhões de turistas que estiveram em Portugal no ano passado ficaram no alojamento local. É um terço do total de hóspedes. As contas são da ALEP, a associação do setor, que explica que a diferença face aos números do INE - 3,4 milhões de hóspedes em 2017, mais 29% do que em 2016 - reside no facto de o gabinete de estatística apenas contabilizar os estabelecimentos com dez ou mais camas, uma fatia muito pequena da realidade nacional.

"A maioria dos apartamentos e moradias, que é grande parte do alojamento local, tem menos de dez camas. Os números que o INE mostra do alojamento local são quatro a cinco vezes menores do que a realidade", garante Eduardo Miranda, presidente da ALEP, em declarações ao DN/Dinheiro Vivo.

A 31 de julho do ano passado, o INE indicava que existiam 2663 estabelecimentos de alojamento local, "quando sabemos que hoje são 72 mil e que, naquela altura, talvez fossem perto de 60 mil. É fácil verificar que as estatísticas oficiais apenas apanham uma ponta de um icebergue. Tem que ver com a metodologia".

Multiplicando por quatro os 3,4 milhões de hóspedes que, segundo o INE, ficaram no alojamento local, "verificamos que estes estabelecimentos já representam cerca de 30% dos hóspedes. E nas dormidas deverá ser ainda mais. Precisamos urgentemente é de integrar o alojamento local como um todo nas estatísticas do turismo. Estamos a perder qualquer coisa como dez milhões de hóspedes em termos estatísticos".

A ALEP considera que "é muito difícil" traçar um cenário para 2018, até porque a nova lei está a gerar "receio"

Os dados relevados ontem pelo INE indicam que o número de hóspedes em Portugal ascendeu a 24,1 milhões em 2017 (+12,9%) e as dormidas a 65,8 milhões (+10,8%). O mercado externo foi responsável por mais de 47 milhões de dormidas (+12,2%). O principal mercado emissor foi o britânico, seguido pelo alemão, francês e espanhol.

A ALEP considera que "é muito difícil" traçar um cenário para 2018, até porque a nova lei está a gerar "receio" junto de alguns dos proprietários de alojamento local. Nesta semana, o Presidente da República promulgou o decreto da Assembleia da República que altera o regime de autorização de exploração destes estabelecimentos. Estas novas regras permitem que as autarquias e as assembleias de condóminos intervenham na autorização do alojamento local.

"Como vai ser o futuro com esta nova lei? Estamos a mexer com um terço do alojamento turístico. Estamos a colocar um pilar do turismo num ambiente de receio e instabilidade, porque [passa a] depender de fatores subjetivos como a posição dos vizinhos ou como a interpretação da câmara sobre o que é sobrecarga ou não."

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