Premium No país de Diamantino

Consagrado no Festival de Cannes de 2018, o filme Diamantino merece ser descoberto. Mesmo que possamos recebê-lo com desencanto, vale a pena pensar a sua visão de um país chamado Portugal.

Que dizer sobre o filme Diamantino, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, que chega nesta semana às salas portuguesas, quase um ano depois de ter arrebatado, em Cannes, o prémio principal da Semana da Crítica?

Talvez possa ser pedagógico referir que esse prémio serve também de sintoma das clivagens que marcam o universo da crítica de cinema - de facto, não posso deixar de dar conta do meu desencanto face a Diamantino. Dito de outro modo: não há nada que justifique falar de uma entidade unificada, muito menos unívoca, a que daríamos o nome de "crítica". Interessante é, justamente, a coexistência das diferenças que a intervenção crítica pode envolver.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?