Setembro em Lisboa, um mês ainda com muita música

As férias podem ter terminado, mas o verão continua e, tal como as pessoas, também os festivais estão de regresso à cidade.

Lisb-On

À sexta edição, o Lisb-On é já um dos clássicos da rentrée, um festival cujas sementes floriram num frondoso jardim sonoro que se afirmou como uma referência pela proposta original. Trata-se de um festival organizado numa das mais centrais zonas verdes de Lisboa (o Parque Eduardo VII), com um horário vespertino (começa às duas da tarde e termina pouco depois da meia-noite) e que aliado a isso apresenta sempre um cartaz desafiador, dentro desse cada vez mais abrangente rótulo da música eletrónica e de dança.

Há de tudo um pouco neste Lisb-On: chill out e techno, disco, house, jazz, soul, funk ou pop eletrónica. Música tocada por DJ e em concertos ao vivo, que vão animar os três palcos do festival ao longo de outros tantos dias. "A festa mais cool da capital", como é apresentado pela organização deste festival "sustentável e socialmente responsável", tem início na sexta, dia 6, com dois nomes míticos da cena de Detroit, Octave One e Carl Craig, num dia em que também por lá atuam o alemão Marcel Dettmann ou o francês Space Travel.

Nos dois dias seguintes, o Parque Eduardo VII vai receber a visita de gente tão diferente como a Ten City Live Band, um projeto de R&B-dance nascido em Chicago no final dos anos 80, o duo nova-iorquino Masters at Work, conhecidos pela sua mistura de garage, house, hip-hop e música latina, o português DJ Vibe, os britânicos Horse Meat Disco ou a irlandesa Róisín Murphy, antiga vocalista dos Moloko, que assume o estatuto de grande cabeça-de-cartaz da edição deste ano do Lisb-On, onde vem apresentar o seu trabalho a solo.

Lisb-On
Parque Eduardo VII
6 a 8 de setembro
€35 a €70 (Passe)

Festa Rock in Rio

Por estes mesmos dias, mas noutra zona da cidade, nos Jardins da Torre de Belém também se celebra com música o aniversário redondo do Rock in Rio Lisboa, que em 2019 cumpre 15 anos de existência. E enquanto ainda não é conhecido o cartaz do próximo ano, a festa faz-se com alguma da música que por lá passou nas edições anteriores.

Na primeira noite, num palco em forma de guitarra instalado mesmo em frente à Torre de Belém, vai ser apresentado o espetáculo sinfónico Symphonic 15, concebido em exclusivo para esta ocasião pelo maestro Rui Massena, que vai dirigir uma orquestra de 60 músicos, na interpretação de alguns dos maiores sucessos musicais dos 860 artistas e bandas que já passaram pelo Parque da Bela Vista ao longo de oito edições de Rock in Rio. Nos dois dias seguintes, os concertos estarão a cargo dos britânicos James e da brasileira Ivete Sangalo, também eles presenças habituais no Rock in Rio Lisboa.

Festa de Aniversário do Rock in Rio
Torre de Belém
6 a 8 de setembro
Entrada livre

Lisboa Soa

Bem mais desafiante é a proposta do Lisboa Soa, um festival de arte sonora ambiental, que neste ano cumpre a quarta edição com uma programação dedicada ao tema das migrações. Mais do que um festival de música, trata-se antes de encontro de arte sonora, urbanismo e cultura auditiva, com um vasto programa de instalações, performances e workshops, concebido pela investigadora Raquel Castro, que há muito se dedica ao estudo do som como parte essencial da identidade dos locais. Já passou pelo jardim do Palácio das Necessidades, pela Mãe d'Água e pela Estufa Fria, onde neste ano regressa de 12 a 14 de setembro.

Os portugueses Francisco Pinheiro e Paulo Morais, Lantana, @c e Gil Delindro, a dupla britânica Kathy Hinde e Matthew Olden, a americana Maile Colbert, os chilenos Rodrigo Araya e Fernando Godoy e o austríaco Andreas Trobollowitsch são alguns dos artistas performativos presentes. Já entre as diversas instalações, destaca-se, por exemplo, a que o inglês Peter Cusack, um dos maiores nomes mundiais na documentação de paisagens sonoras, dedica ao mar de Aral, no Cazaquistão, onde ocorreu um dos maiores desastres ambientais do século XX.

Lisboa Soa
Estufa Fria
12 a 15 de setembro
Entrada livre

Nova Batida

Em paralelo, por estes dias, acontece também a segunda edição do Nova Batida, que depois do sucesso do ano passado está de regresso à LxFactory e ao Village Underground para mais três dias de concertos, arte de rua e cultura urbana. O cartaz é novamente de luxo, destacando-se nomes como o do inglês Four Tet, o dos compatriotas Friendly Fires, os congoleses Kokoko! ou o rapper americano Talib Kwelli. Além da música, durante o dia está disponível um programa de experiências na zona de Lisboa, com aulas de surf, ioga ou passeios pelos museus da capital, para os portadores de pulseiras do festival.

Nova Batida
LxFactory e Village Underground
13 a 15 de setembro
€30 a €70 (passe)

Iminente

No fim de semana seguinte, de 19 a 22, todos os caminhos, mas de preferência "sem carro", vão dar ao restaurante panorâmico de Monsanto, para onde o Iminente se mudou no ano passado, depois de duas primeiras edições em Oeiras. Com curadoria de Vhils e da Galeria Underdogs, o Iminente assume-se como o palco do movimento criativo que nos últimos anos adicionou contemporaneidade e criatividade à cena artística portuguesa.

Na música, destaca-se, entre todos os outros, o nome do americano Common, um dos maiores nomes do hip-hop mundial, vencedor de Óscares, Globos de Ouro, Emmys e Grammys, que finalmente se estreia em Portugal. Depois há gente como os Beatbombers, David Bruno, Dealema, Fado Bicha, Filho da Mãe, Fred, o americano Just Blaze, a brasileira Linn da Quebrada, o argelino Mohamed Lamouri ou os cabo-verdianos Bulimundo, Cachupa Psicadélica e Mayra Andrade, entre tantos outros, que fazem deste festival o local perfeito para ver tudo o que está a acontecer ou prestes a acontecer.

O programa inclui também uma vasta gama de artistas visuais e plásticos, que vão interagir com espaço, interior e exterior, onde decorre o festival, havendo não só muita arte exposta mas também a ser feita em tempo real.

Iminente
Restaurante Panorâmico de Monsanto
12 a 21 de setembro
€15

Santa Casa Alfama

Bem mais tradicional é a proposta do Santa Casa Alfama, que neste ano se realiza, como habitualmente, no popular bairro lisboeta que lhe dá o nome, de 27 a 28 de setembro. Terá sido aqui, algures por estas vielas, que o fado nasceu e muito embora outros locais lhe reclamem a maternidade, é no entanto a Alfama que regressa, ano após ano, para esta espécie de "segundo Santo António", como já é conhecido no bairro este festival, iniciado em 2013 e até hoje o único dedicado em exclusivo a este estilo musical.

Além do palco principal, junto ao Tejo, as atuações espalhar-se-ão pelo bairro, em locais como o Rooftop do Terminal de Cruzeiros de Lisboa, Museu do Fado, Auditório Abreu Advogados, Largo do Chafariz de Dentro, Grupo Sportivo Adicense, Sociedade Boa União, Centro Cultural Dr. Magalhães Lima, Igreja de Santo Estêvão, escadinhas e Largo de São Miguel.

O cartaz inclui nomes como Ana Moura, Ricardo Ribeiro, Marco Rodrigues, Katia Guerreiro, Jorge Fernando e Waldemar Bastos, que vão apresentar um Tributo a Amália Rodrigues, ou ainda Gisela João, a preparar um concerto surpresa, com hora e local a serem revelados apenas durante o festival.

Santa Casa Alfama
Bairro de Alfama
27 e 28 de setembro
€20 a €30 (passe)

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