Portugueses procurados para cuidar de idosos 24 horas por dia na Europa
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Portugueses procurados para cuidar de idosos 24 horas por dia na Europa

Inglaterra, Alemanha, Bélgica e Luxemburgo estão entre os países que mais procuram cuidadores em Portugal. Na semana em que se comemora o Dia do Idoso, contamos-lhe histórias de quem deixou o país para trabalhar num regime interno a cuidar dos mais velhos, em que a mão-de-obra escasseia.

São procurados pela capacidade de trabalho, mas, sobretudo, pelas características humanas. Lá fora, os portugueses têm fama de ser um povo simpático, atencioso, que sabe cuidar dos idosos. É isso que faz que os países estrangeiros que não têm mão-de-obra especializada venham contratar a Portugal. Querem pessoas para trabalhar no chamado regime live in, ou seja, 24 horas por dia em casa dos clientes. Oferecem alojamento, refeições e salários que podem ultrapassar os dois mil euros por mês. Vitória, Maria, Sofia e Graça aceitaram "deixar de ter vida própria" para prestar este tipo de cuidados no estrangeiro. Integraram famílias que não são as suas e nem sempre são bem tratadas. "Mas foi uma escolha", dizem.

Vitória, 44 anos, cuida de idosos há seis no Reino Unido. "Estou com uma senhora de 83 anos, que sofre de demência. Não é uma cliente fácil. Não me deixa dormir durante a noite e durante o dia é muito exaustiva", conta ao DN, numa conversa telefónica a partir de Londres. Diz que a família da mulher reconhece a sua paciência. "Nunca gosta da comida. Não posso usar cremes, nem perfume nem nada. Implica com tudo." Há dois anos e meio na mesma casa, Vitória já se habituou às exigências, mas assume que o trabalho é desgastante. "Não tanto a nível físico. Já tive outra cliente que dava mais trabalho a esse nível." Também chegou a trabalhar num lar, mas sentia que não tinha tempo para prestar os cuidados que os utentes precisavam.

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