Compra de carros elétricos com apoios recorde

Fundo Ambiental já deu 2,6 milhões de euros para financiar a aquisição de mais de mil automóveis elétricos. Empresas ficam com maioria dos apoios.

Nunca o Estado deu tanto dinheiro para ajudar os portugueses a comprarem um automóvel elétrico. Até ao final de outubro, foram atribuídos 2,636 milhões de euros, um aumento de 1,4% face a todo o ano passado. Mas foram as empresas que ficaram com sete em cada dez apoios atribuídos, segundo os dados disponibilizados pelo Fundo Ambiental ao DN/Dinheiro Vivo.

Só neste ano, já foram entregues 1064 "cheques" para apoiar a compra de carros elétricos. Pela primeira vez, passou a haver valores diferentes para particulares e empresas: cada particular pode receber 3000 euros e as empresas podem encaixar 2250 euros por veículo, até ao limite de quatro unidades. Resultado: nunca houve tantos particulares a pedir a ajuda do Estado para comprar carros elétricos.

Ainda assim, como cada empresa pode receber, no limite, uma ajuda de 9000 euros para reforçar a frota, acabaram por ficar com mais de 70% dos apoios atribuídos neste ano. Foram mais de 2,25 milhões de euros. A adesão foi enorme mesmo depois de os automóveis acima dos 62 500 euros terem deixado de beneficiar desta medida que visa diminuir as emissões de carbono.

O peso das empresas neste programa, apesar de tudo, tem vindo a diminuir. No ano passado, como podiam comprar até cinco carros independentemente do preço, as empresas ficaram com 72,3% dos apoios atribuídos pelo Fundo Ambiental, que gastou 2,632 milhões de euros nesta medida e atribuiu 1170 incentivos. No ano passado, o Fundo Ambiental apoiou também a compra de 41 motociclos elétricos, num total de 16 396 euros.

No primeiro ano, em 2017, o Estado despendeu 2,196 milhões de euros neste programa e apoiou a compra de 976 veículos totalmente elétricos. Foi o único ano em que o Fundo Ambiental não utilizou toda a verba disponível - na altura, esta medida estava orçamentada em 2,3 milhões de euros.

Ainda há dinheiro

Em 2019, o Fundo Ambiental aumentou, pelo terceiro ano consecutivo, a verba disponível para a apoiar a compra de veículos eficientes. Além dos carros, há um total de três milhões de euros para aquisição de motos e, pela primeira vez, também há apoios para bicicletas.

Tal como no ano passado, a ajuda para comprar motos é a menos procurada: dos cem mil euros disponíveis, só foram utilizados 42 950 mil euros. Nas bicicletas, estão praticamente esgotados os mil "cheques" de 250 euros - já foram atribuídos 984 incentivos.

Devido à baixa adesão ao apoio para as motos, o Estado poderá voltar a aproveitar o montante que sobrar para reforçar os incentivos à compra de automóveis. A decisão final será tomada apenas no início de dezembro.

"No final do período de submissão de candidaturas será avaliada a possibilidade de atribuir incentivos a candidaturas que se encontrem por avaliar ou em lista de espera", explicou fonte oficial do gabinete de João Matos Fernandes ao DN/Dinheiro Vivo.

Para 2020, antecipa-se um novo aumento do dinheiro para o Fundo Ambiental ajudar à compra de carros elétricos. Na semana passada, João Matos Fernandes defendeu que esta medida "tem de ser aumentada, não no valor individual mas no orçamento global". A razão é o plano português para neutralizar as emissões de dióxido de carbono até 2050.

"É normal que estando em causa o superior bem público, que é a descarbonização do país, o Estado ajude e apoie fiscalmente, com incentivos, essa mesma transição. Para sermos neutros em carbono até 2050 o país tem de investir mais dois milhões de euros do que seria expectável em cada ano." Em dezembro, saberemos se a intenção do ministro do Ambiente encaixa no Orçamento de Mário Centeno.

Nos primeiros nove meses deste ano, venderam-se mais de 5500 carros 100% elétricos, uma fatia de 2,7% do mercado de automóveis ligeiros, graças, em grande parte, à chegada do Model 3 da norte-americana Tesla.

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