Venha de lá a primavera!

Um inverno duro, chuvoso, rigoroso, fechado. Os portugueses já sonham com uma primavera que traga boas notícias, desconfinamento e alguma estabilidade. A primavera é tempo de confiança e esperança, de reenergizar e de renascer e, por vezes, assinala pequenas grandes revoluções. Não será uma "primavera árabe" (expressão criada para designar a onda de protestos que marcou os países árabes a partir do final do ano de 2010) a que é esperada para já em Portugal, mas um reinício no campo social, económico e político.

Um ano de pandemia em Portugal, assinalado ontem, foi um grande teste a todos os partidos e instituições. Ao governo, que tem o poder executivo; ao Presidente e ao seu papel duplo de vigilante e conciliador; aos partidos com assento parlamentar. Dois grandes momentos marcaram o último ano em termos políticos: as votações do estado de emergência no parlamento e as eleições presidenciais que decorreram em pleno confinamento. No primeiro ponto, fomos assistindo ao deslaçar do consenso parlamentar na votação dos estados de emergência e a uma contestação partidária cada vez maior. No segundo ponto, apesar dos pedidos para o adiamento do ato eleitoral, não só foi realizado como foi uma lição democrática.

Na oposição, a pandemia trouxe desafios a todos os partidos, sem exceção. Mas foi no centro-direita que foram mais visíveis. O Chega e a sua expressão relevante nas presidenciais mexeram com os pilares do CDS, da Iniciativa Liberal e do PSD. O CDS viu a ameaça do seu desaparecimento tornar-se tema de debate na opinião pública; a Iniciativa Liberal roubou votos ao CDS mas precisou de ginástica para ampliar o seu espaço na direita; e o PSD, através da liderança de Rio - que muitas vezes esteve ao lado do governo -, pagou um preço político pelos consensos. O PCP segurou o seu papel de oposição de esquerda confiável (já tinha viabilizado o Orçamento do Estado). Mais frágil ficou o BE, que, sem papel assinado para um casamento chamado geringonça, perdeu peso político. No caso do PS, Costa ora foi sendo fortalecido (na primeira vaga) ora enfraquecido (na terceira vaga da pandemia). Veremos como sairá desta guerra e como o PS enfrentará a primavera.

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