Aconteceu em 1956 - Os antecessores dos coletes amarelos

Os poujadistas ganharam de um momento para o outro 52 lugares de deputados nas eleições em França. Lutavam contra impostos elevados e eram bastante reacionários.

No dia 2 de janeiro de 1956, o Diário de Notícias chamava a grande destaque as eleições francesas. E o que têm estas de especial? Foram aquelas em que os poujadistas concorreram e ganharam 52 dos 595 lugares na Assembleia. E o que este resultado tem de marcante? Este movimento tem sido muito associado ao mais recente dos coletes amarelos - o seu nome inspira-se em Pierre Poujade, que, aos 32 anos, livreiro, liderou uma revolta de pequenos comerciantes que se opunham ao fisco e aos seus fiscais.

Foi um dos primeiros movimentos populistas da Europa e era um reflexo reacionário dos pequenos proprietários, comerciantes e afins, das regiões que mais sentiam a crise que por essa altura era aumentada por uma certa revolução no retalho, com as grandes superfícies, modernas e com muitas escolhas, a tomarem lugar.

O sucesso eleitoral incluiu a entrada de Jean Marie Le Pen para a Assembleia - mas rapidamente entrou em rota de colisão por causa da questão argelina. O partido poujadista praticamente desapareceu em 1958.

Na mesma primeira página o jornal faz também referência a uma reportagem do jornal Le Figaro intitulada "A Mulher na política e no autobus". O correspondente do jornal em Paris explica que isso tinha que ver com a participação das mulheres nas eleições francesas - algo que se revela de determinante importância, uma vez que são 53% dos votos.

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