Premium Em seis meses houve quase tantos viciados no jogo em tratamento como em todo o 2018

Número de dependentes de apostas e videojogos sobe. Em 2018, o SNS tratou 118 pessoas. Neste ano, contam-se já 108, das quais 50 são novos casos. E 38 600 pediram para ser impedidos de jogar online.

"Queria estar em casa o dia todo a jogar. O meu pai passava-se. Não me dava dinheiro para comprar jogos, nem mos oferecia. Então comecei a tirar-lhe o cartão de crédito para ter dinheiro. Ele fazia-me ameaças e até chegou a partir a consola para eu deixar de jogar. A personagem do jogo tinha uma lâmina a sair do braço e eu cheguei a andar pela net à procura de um sistema parecido, comprei mesmo um. E queria aprender esgrima e a andar a cavalo. Era doentio."

Este é o autorretrato de José quando fala da sua vida até novembro do ano passado: a de um viciado nas apostas online e nos videojogos. José tem 18 anos, está a realizar um tratamento numa clínica privada desde o final de 2018 e é um exemplo do que cada vez mais se está a passar na sociedade - o tipo de dependência está a mudar com o gambling (apostas a dinheiro) e os videojogos a ganhar importância nas queixas que chegam às clínicas, quer do Serviço Nacional de Saúde (SNS) quer privadas.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.