Mercado automóvel cresce, mas venda dos diesel cai a pique

Carros a gasóleo representam pouco mais de metade dos automóveis comprados desde o início do ano. Líder da Renault considera que este combustível está "condenado".

Os portugueses estão a comprar cada vez menos carros novos a gasóleo. Nos primeiros oito meses do ano, estes veículos representaram 52,9% das vendas, quando, no mesmo período do ano passado, a quota de mercado destes automóveis era de 61,2%, segundo os dados obtidos pelo DN/Dinheiro Vivo junto da ACAP - Associação Automóvel de Portugal. A mudança de preferência dos consumidores para os carros a gasolina explica a quebra dos diesel, segundo as associações do setor.

"As marcas estão a oferecer cada vez mais carros a gasolina nos concessionários por vontade dos consumidores. Portugal está a acompanhar a tendência europeia, com os carros a gasóleo a terem uma quota de mercado cada vez mais baixa", explica Hélder Pedro, secretário-geral da ACAP.

O pico de vendas dos carros a gasóleo foi há apenas cinco anos. Em 2013, praticamente três quartos (72,3%) dos automóveis novos era movido a gasóleo; ao mesmo tempo, apenas 25,7% dos motores dos veículos tinham motores a gasolina (ver infografia). Cinco anos depois, os carros a gasolina já valem 40,6% do mercado nacional e são os modelos que mais estão a beneficiar com a quebra do gasóleo em toda a Europa - em França, por exemplo, as vendas de automóveis a gasóleo caíram para 36%, a percentagem mais baixa de sempre.

O esfumar do diesel das compras dos portugueses também se deve a outro tipo de ações. "O gasóleo tornou-se no mal a atacar e as notícias de restrições em várias cidades a nível europeu também contribuíram para a redução da quota de mercado", entende Jorge Neves da Silva. O secretário-geral da ANECRA - Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel dá conta ainda de "várias campanhas das marcas para incentivar a troca de automóveis a gasóleo por veículos híbridos".

Mas os automóveis híbridos, elétricos ou a GPL tardam em convencer os consumidores portugueses. Os híbridos só representaram 6,5% do mercado de carros novos em agosto, cerca de dois pontos percentuais a mais do que no final do ano passado.

Ainda assim, Hélder Pedro, apesar da forte quebra nas vendas, prevê que os diesel "continuem a ter um peso muito importante" no mercado automóvel nacional.

Uma opinião diferente de Carlos Ghosn, o líder da aliança automóvel entre Renault, Nissan e Mitsubishi. "O diesel está condenado, porque os políticos assim o quiseram. Quando os governantes dão sinais de que [o gasóleo] não é bom, que vão parar os incentivos e proibir estes carros nas cidades, os consumidores dizem 'para que é que vou comprar um carro a gasóleo se daqui a três ou quatro anos sou apanhado numa armadilha depois do grande investimento que fiz'", referiu Carlos Ghosn num evento realizado ontem à margem do Salão Automóvel de Paris.

O empresário brasileiro lembrou que a capital francesa pretende proibir, a partir de 2024, a entrada de carros a gasóleo no centro da cidade.

Mercado quebra em setembro

As vendas de carros ligeiros de passageiros caíram 14% em setembro. No mês em que entraram em vigor as novas regras para homologação de veículos, os portugueses compraram 12 771 automóveis ligeiros, o que compara com os 14 857 registos do mesmo mês de 2017. Apesar da quebra, venderam-se mais carros desde o início de 2018 do que no período homólogo do ano passado, segundo a ACAP. No total, as vendas diminuíram 10,1% em setembro.

"Na sequência do aumento registado em agosto, associado a uma antecipação de compras decorrente da transição para um novo ciclo de ensaios (WLTP), com impacto na medição das emissões de CO2, o mercado de ligeiros de passageiros corrige com uma diminuição no número de unidades matriculadas de ligeiros de passageiros em setembro", justificou a associação. Em agosto, as vendas de carros ligeiros aumentaram 28%.

Praticamente todas as marcas registaram resultados negativos em setembro. A Peugeot, com a subida de 1%, foi uma das poucas fabricantes que escaparam à quebra do mercado automóvel nacional e liderou as vendas no último mês. Logo a seguir ficaram as marcas de segmento superior: Mercedes e BMW ficaram em segundo e terceiro lugares das vendas em setembro, respetivamente. A Renault, habitual líder da tabela, apenas conseguiu o quarto lugar das vendas em setembro.

Setembro marcou a entrada da nova norma de emissões WLTP, que prevê consumos e valores de emissões mais realistas. As marcas temiam um aumento generalizado do preço dos automóveis novos a partir de 1 de setembro, mas tal não aconteceu porque o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes, deu instruções à Autoridade Tributária (AT) para alterar as tabelas de impostos aplicadas aos automóveis e neutralizar o efeito da entrada da nova norma de emissões (WLTP). Estes efeitos estendem-se à preparação do Orçamento do Estado para 2019.

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