Melania, sorridente no Gana, na sua primeira viagem a solo

Na primeira grande viagem internacional sem o marido, Donald Trump, a primeira-dama dos EUA visita Gana, Malawi, Quénia e Egito.

O cargo de primeira-dama norte-americana é uma espécie de soft power dos Estados Unidos. Nesse sentido, Melania Trump escolheu o continente africano para a sua primeira visita internacional a solo desde que o marido, Donald Trump, chegou à Casa Branca. Este foi um destino escolhido também no passado pelas suas antecessoras, Michelle Obama, Laura Bush e Hillary Clinton (esta última viria a ser a rival democrata de Trump nas eleições presidenciais de novembro de 2016 nos Estados Unidos).

O presidente, vencedor desse escrutínio, não esteve ainda, ele próprio, em visita oficial a África. Mas no início deste ano foi notícia por ter classificado os países do continente africano como "países de merda", tal como El Salvador e Haiti, numa conversa que manteve na Sala Oval no âmbito da discussão sobre o futuro do programa DACA, ou seja, Ação Diferida para Imigração Infantil.

Ora são precisamente as questões ligadas à infância que levam a mulher do chefe do Estado a África. Melania, de 48 anos, está de visita ao Gana, ao Malawi, ao Quénia e ao Egito no âmbito da sua iniciativa Be Best. Assim, a primeira-dama vai visitar escolas, hospitais, focando-se nos cuidados neonatais, para os recém-nascidos, para as mães. Melania vai testemunhar in loco o trabalho desenvolvido no terreno pela Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

Sorridente, Melania chegou esta terça-feira ao Gana, onde foi recebida em festa. No aeroporto de Accra foi acolhida pela primeira dama ganesa, Rebecca Akufo-Addo, bem como por uma menina que lhe ofereceu um ramos de flores.

"Ao trabalhar com países em desenvolvimento em todo o mundo para os ajudar a chegar à autossuficiência, o trabalho da USAID é muito daquilo que defende a Be Best", disse Melania, citada pela ABC News, na semana passada, à margem da Assembleia Geral da ONU. Nela, o marido defendeu o "patriotismo" contra o "globalismo", prometendo que a ajuda externa norte-americana seria revista e só haveria dinheiro para os amigos dos EUA.

A USAID existe desde 4 de setembro de 1961, tendo sido criada pelo presidente John F. Kennedy, atuando como reforço da política externa dos EUA. Coopera com os países recetores de ajuda em áreas que vão da economia à agricultura, passando pela saúde e pela assistência humanitária. Tem mais de cem missões em todo o mundo. Está presente em África, Ásia, América Latina, Médio Oriente e Eurásia. Timor-Leste, Angola e Moçambique são países lusófonos onde está presente esta agência de cooperação norte-americana.

Trump propôs, no passado, um corte de 33% no financiamento da USAID, mas o Congresso rejeitou. Para este ano, o orçamento da USAID é de 1,6 mil milhões de dólares, ou seja, 1,4 mil milhões de euros. Em relação a 2017, isso já significa uma redução da ordem dos 24 milhões de dólares, ou seja, 21 milhões de euros.

A Be Best, por sua vez, foi lançada por Melania a 7 de maio deste ano, no Rose Garden da Casa Branca. Trata-se essencialmente de uma campanha de consciencialização para os problemas dos jovens e a sua necessidade de bem-estar, alertando para os perigos do cyberbullying e do uso de drogas como os opioides.

Numa altura em que a China investe em força nos países africanos e a Europa procura consenso entre os seus Estados membros para delinear uma nova estratégia a longo prazo para o continente africano, será a visita de Melania o suficiente para limpar a imagem dos EUA perante os países de África?

"A primeira-dama, sempre que viaja para um país estrangeiro, representa uma bandeira e há muita coisa que pode fazer para gerar um sentimento positivo em relação aos EUA, e espero que ela seja capaz de o fazer", disse, à AP, Myra Gutin, especialista em primeiras-damas dos EUA na Rider University, em Nova Jérsia.

"Acho que a relação entre EUA e África é maior do que quaisquer comentários que possam ter sido feitos pelo presidente e dura já há várias décadas. Francamente, acho que a maioria dos africanos não ouviram falar sobre essas coisas, acho que são coisas que preocupam sobretudo as elites. Os africanos, regra geral, são muito graciosos a receber os outros", declarou Joshua Meservey, analista sénior especialista em África da Heritage Foundation, também citado pela Associated Press.

Exclusivos