Premium Ana Quintans, a mais internacional soprano portuguesa

Tinha 23 anos, nunca tinha estudado Música, e estava no último ano de Escultura quando entrou no Conservatório. Teve de trabalhar intensamente. Tornou-se na mais internacional soprano portuguesa. Aos 44 anos, Ana Quintans viveu a personagem Alceste na ópera de Gluck como uma catarse que a mudou. "Até aqui arrisquei muito pouco."

Como é que Ana Quintans viveu tantos anos com esta voz sem a conhecer? A soprano acaba de brilhar num dos mais desafiantes papéis da história da ópera. Foi a Alceste na obra de Gluck, tragédia que cantou de pés descalços e com toda a força e fragilidade que lhe eram, à vez, exigidas. Quem a viu e aplaudiu no Teatro São Carlos não fazia provavelmente ideia de que só aos 23 anos a mais internacional cantora lírica portuguesa começou a estudar Música.

Estávamos nos anos 1990 quando Ana Quintans, aluna de Escultura na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, começou a ter meia hora semanal de aulas de canto na Juventude Musical Portuguesa. "Ia a correr, vinha a correr." O objetivo era estar à altura do convite que lhe tinha sido feito por Rodrigo Leão para cantar como segunda soprano.

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