Marcelo elogia papel dos ciganos na soberania nacional

Marcelo lembra papel do cavaleiro fidalgo Jerónimo da Costa e de 250 outros ciganos na revolução que em 1 de dezembro de 1640 resgatou a independência nacional a Espanha.

João Pedro Henriques
O Presidente da República abriu a exposição O Diário de Notícias e as Comemorações do 1.º de Dezembro, no Palácio da Independência, com a diretora do DN, Rosália Amorim, e o presidente da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, José Ribeiro e Castro, a receber também o presidente da AR, Augusto Santos Silva, a ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras, e o presidente da CML, Carlos Moedas. | foto Gerardo Santos/Global Imagens
A diretora do DN, Rosália Amorim, com o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa a mostrar as páginas do jornal a uma criança. | foto Gerardo Santos / Global Imagens
José Ribeiro e Castro, que lidera a Sociedade Histórica da Independência de Portugal, ao lado do presidente da CML, Carlos Moedas, troca ideias com o PR, sob o olhar de Marco Galinha, chairman do GMG, do presidente da AR, Augusto Santos Silva, e da ministra da Defesa, Helena Carreiras. | foto Gerardo Santos/Global Imagens
Dom Duarte e o primogénito, Dom Afonso de Bragança, não faltaram à exposição. | foto Gerardo Santos/Global Imagens

Com o Chega na mira, mas sem o afirmar explicitamente, o Presidente da República aproveitou as celebrações do 1º de Dezembro/Dia da Restauração para elogiar a comunidade cigana residente em Portugal, alvo permanente de críticas do partido de André Ventura.

Numa mensagem colocada no site da Presidência, Marcelo Rebelo de Sousa escreveu que "ao lembrar tantos portugueses, de tantas origens, que se envolveram no movimento revolucionário" que, no dia 1 de dezembro de 1640, resgatou a Espanha a independência de Portugal, está a "lembrar também os portugueses de etnia cigana que, como reconheceu então o próprio Rei D. João IV, deram a vida pela nossa independência nacional".

"Este dever de memória é de elementar Justiça e rompe com tanto esquecimento e discriminação de que os ciganos têm, infelizmente, sido alvo no nosso país."

E prosseguiu: "O cavaleiro fidalgo Jerónimo da Costa e muitos dos duzentos e cinquenta outros ciganos que serviram nas fronteiras "procedendo na forma de traje e lugar dos naturais" tombaram por Portugal". Ou seja, "Portugal lembra-os, presta-lhes homenagem e exprime a sua gratidão" e "este dever de memória é de elementar justiça" porque "rompe com tanto esquecimento e discriminação de que os ciganos têm, infelizmente, sido alvo no nosso país".

A agenda do PR incluiu, ontem, na Praça dos Restauradores, em Lisboa, presidir à cerimónia de homenagem aos heróis da Restauração organizada pela Câmara Municipal de Lisboa e pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal. Junto ao Monumento da Restauração depositou uma coroa de flores. Depois visitou no Palácio da Independência a exposição "O Diário de Notícias e as Comemorações do 1º de Dezembro (dos finais da Monarquia à 1.ª República)".

Por motivos de saúde, o primeiro-ministro faltou à cerimónia nos Restauradores, enviando em seu lugar a ministra da Defesa, Helena Carreiras. Numa mensagem no Twitter, António Costa escreveu: "A reposição do feriado do 1º de Dezembro, pelo simbolismo da data, é uma das medidas de que mais me orgulho ter tomado enquanto primeiro-ministro. Valorizemos a nossa história. Honremos a República. Celebremos a soberania e a força da nossa bandeira nacional."

Ao discursar, a ministra da Defesa afirmou a necessidade de proteger "diariamente os ganhos da Restauração". Em "382 anos volvidos sobre aquele 1.º de Dezembro, Portugal enfrenta hoje um conjunto diferente de desafios. Muito embora a sua independência não se encontre diretamente ameaçada, continua a ser necessário proteger diariamente os ganhos da Restauração", afirmou. E esta independência "encontra o seu sentido não no fechamento, mas na abertura ao outro, não no isolamento, mas na cooperação" - ou seja, é "uma independência que se fortalece na afirmação dos valores da democracia, do Estado de Direito e dos direitos humanos, na valorização da diversidade e do pluralismo".

"Foram várias as vezes aquelas em que sabemos que os interesses imediatos se sobrepuseram aos interesses nacionais. Por isso é que o 1º de Dezembro é hoje tão importante."

Outro dos intervenientes na cerimónia, o anfitrião Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, considerou que o 1º de Dezembro ensina que a "classe política tem que dar o exemplo de devoção pelo bem comum", não podendo fechar-se "sobre si mesma" ou considerar-se "imune à crítica".

"Foram várias as vezes que esta irresponsabilidade foi predominante na nossa longa história. Foram várias as vezes aquelas em que sabemos que os interesses imediatos se sobrepuseram aos interesses nacionais. Por isso é que o 1º de Dezembro é hoje tão importante", disse. O autarca acrescentou que "a grande lição" do dia da Restauração da Independência de Portugal é que "a classe política tem que dar o exemplo de devoção pelo bem comum e de capacidade de liderança", "protegendo as instituições com visão e ambição" e "ouvindo todos".

joao.p.henriques@dn.pt