Premium Foi a primeira cega num governo, agora tem outro desafio... Clara está a chegar

O DN propôs e a secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência aceitou. Passar um dia com ela para falar da sua vida, do mundo da política e do futuro que aí vem. O testemunho aqui fica, na véspera do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Durante esta semana, acompanhe no DN uma série de reportagens sobre pessoas que vivem com deficiência.

Nasceu cega. Não invisual - palavra que diz não existir sequer no dicionário. "Parece que estamos a dizer que a pessoa cega não tem visual em termos estéticos", afirma, a rir. O que não é o caso. Para ela, mais do que uma conotação negativa, é caridosa e, ainda que o entenda, não aceita. Ser cega nunca a impediu de fazer o que quer e de fazer o que os outros fazem. Sempre pegou na bengala e saiu de casa à procura de novos caminhos, desafios, que lhe trouxeram a confiança que tem. "É importante que as pessoas vivam e façam as coisas na altura certa, a falta de vivência deixa marcas que depois serão difíceis de superar."

Teve a sorte de ter uns pais que nunca lhe cortaram as asas, embora a protegessem. Foi criança, adolescente, universitária, ativista dos direitos das pessoas com deficiência, mulher trabalhadora, governante. A primeira a ocupar uma pasta destinada à deficiência e à inclusão. Confessa que quando foi convidada ficou assustada, queria dizer não, mas ao mesmo tempo sim. Como mulher prática que é, pensou: "Tem de ser. Senão estaria a desdizer tudo aquilo por que andei a lutar." E o sim venceu.

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