Premium  VIH/sida – enquanto esperamos pela cura, matemos o estigma

O VIH - vírus da imunodeficiência humana é, entre as doenças crónicas, aquela em que a dimensão da representação social é mais premente. A sociedade, no seu conjunto, acostumou-se a associar uma determinada imagem a cada doença crónica, replicada pelos meios de comunicação (em todas as suas valências), pelo mundo das artes e da cultura e por outras instâncias que ajudam à construção da perceção global. Temos tendência até a interiorizar uma representação visual partilhada que associamos ao doente oncológico, ao diabético, ao doente que faz hemodiálise, entre tantos outros. Temos, mas não devíamos ter.

Perto de entrarmos globalmente na quarta década de combate à epidemia de VIH/sida e celebrado ontem o Dia Mundial da Sida, impõe-se uma pergunta: Qual é a representação/perceção que a sociedade tem hoje do portador de VIH? É acarinhado como é o diabético? Respeitado como o oncológico? Querendo, pode expor-se? Querendo, pode contar no emprego? Legalmente, poderá. Mas, por muito avançado que seja um corpo legislativo - como é o caso do nosso -, sabemos que, em matéria de preconceito, não é a lei per se que liberta. Sabemos que a representação social do portador de VIH e a resposta a estas perguntas ainda são pautadas pelo estigma. Recorrendo a uma expressão associada a outro propósito, não se pode mesmo afirmar com certeza que o VIH, em termos globais e também por cá, tenha saído do armário em que a sociedade o fechou.

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