Com calor e teletrabalho ar condicionado e ventoinhas voam das prateleiras

Lojas confirmam aumentos nas vendas de ventoinhas e ar condicionado portátil que chegam a 300%. Piscinas e máquinas de fitness também disparam.

Com calor a apertar e muitos portugueses a trabalhar a partir de casa, as ventoinhas e os aparelhos de ar condicionado começaram a voar das prateleiras das lojas, com as vendas a disparar entre os 90% e mais de 300% em relação ao passado. Piscinas e aparelhos de cardiofitness também estão entre os artigos mais procurados, neste verão de pandemia em que muitos optam por fazer férias em casa.

A subida de temperaturas aqueceu as vendas de aparelhos de refrigeração na Worten. Em poucas semanas, as vendas de ar condicionado e ventoinhas "quadruplicaram as suas vendas" face a julho de há um ano. "Isto explica-se por terem sido duas semanas em que as temperaturas aumentaram bastante, levando muito portugueses a procurar as melhores soluções de arrefecimento para as suas casas", refere fonte oficial da cadeia de retalho do grupo Sonae. Entre 13 e 24 de julho, "o produto com melhor performance, ao nível de vendas foi o ar condicionado portátil, seguindo-se as ventoinhas de chão".

No Continente este tipo de equipamento teve "uma procura muito grande (superior ao homólogo)", com os portugueses a pôr as ventoinhas no carrinho das compras de primeira necessidade. "Habitualmente, têm maior procura os produtos de primeiro preço, mas, na eventualidade de não estarem disponíveis no momento, os clientes mostram-se recetivos aos modelos existentes (já que há uma necessidade imediata a suprir)", destaca fonte oficial da cadeia da Sonae.

Um crescimento de 318% nas vendas nas ventoinhas foi o resultado da onda de calor, pelo menos na Auchan. A maior procura foi por ventoinhas de chão (+348%), seguida das de pé (+345%); e no ar condicionado os valores são semelhantes: um disparo de 328% face a julho do ano passado, com os consumidores a procurarem sobretudo os modelos portáteis (+446%), embora os fixos também tenham registado uma subida de 147% nas vendas.

"Estamos com um crescimento de 90% nas vendas de ventilação em comparação com o mesmo período do ano anterior", confirma a Fnac, "não só pelo teletrabalho mas pelas temperaturas registadas no mês de julho, que no ano passado não se verificaram".

Ficar em forma em casa

Mas este não é o único fenómeno que a cadeia está a registar. Na Fnac houve ainda um "aumento da venda de artigos de desporto, em especial, máquinas de cardiofitness - como bicicletas de spinning e passadeiras elétricas -, e também de produtos de jardim, desde piscinas e acessórios até ao mobiliário".

Talvez a preparar umas férias mais recolhidas, já que este ano, por causa da pandemia 97% dos portugueses conta gozar as suas férias em Portugal e 15% ficar mesmo lá por casa, segundo os dados de consumo do Observatório Cetelem.

Resultado? Na Fnac comprou-se 45 vezes mais produtos de fitness, cardio e musculação, 36 vezes mais piscinas, tendo ainda o mobiliário de jardim aumentado 15 vezes as suas vendas em relação ao ano passado e as de barbecues e refeições ao ar livre subiram 11 vezes mais. Os portugueses também se mostraram mais preocupados em cuidar do jardim, a avaliar pelo crescimento nas vendas de ferramentas para jardim, que subiram 31 vezes mais, na cadeia francesa.

Piscinas também saem melhor

O Bricomarché também sentiu "uma procura muito acima do habitual" das piscinas. Motivo? "As perspetivas dos portugueses, que não planeiam fazer férias fora do seu local de habitação". Na cadeia do grupo Os Mosqueteiros, as vendas de equipamentos de refrigeração (ventoinhas e ar condicionado) mais do que duplicou (+ 115%) nas duas últimas semanas face a igual período do ano passado", assegura fonte oficial.

Um pé no teletrabalho e outros nas férias por casa também levou a um aumento nas vendas dos equipamentos de ventilação, bem como de mobiliário de jardim no El Corte Inglés. "Neste ano, a procura por todo o tipo de equipamentos de ventilação aumentou, tanto nas lojas como no online. Assim que as temperaturas subiram houve um grande aumento na venda deste tipo de produtos em relação ao ano passado, um crescimento que acompanha a grande procura que temos tido por produtos de casa e jardim, incluindo mobiliário e decoração exterior", adianta fonte oficial dos grandes armazéns. "Surpreendentemente nos artigos de decoração o que está a suscitar maior interesse são os têxteis, muitos deles portugueses, e os serviços de mesa."

Ana Marcela é jornalista do Dinheiro Vivo

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG